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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Visita a ponte metálica sobre o Rio Ingá - PB









No dia 14 de Maio visitei novamente a cidade de Ingá, Agreste paraibano, com o intúito de conhecer a ponte de ferro sobre o Rio Ingá, ou Rio Bacamarte, como é conhecido na região. A ponte fica próxima do cruzamente com a rodovia que dá acesso a cidade de Mogeiro. Andei cerca de 2 Km até chegar nesta pitorescaponte. Construída no prolongamento Itabaiana - Campina Grande que durou de 1904 até 1907, a ponte foi edificada por volta de 1906 por engenheiros ingleses da GWBR (Great Western of Brazil Railway). odo o material metálico foi construído e trazido da Inglaterra, como atesta alguns escritos na estrutura da ponte. A ponte em 20 metros de comprimento, seu estado de conservação é bom, apesar de algumas parte apresentar ferrugem e grande parte de seus dormentes de madeira estarem quase podres, o que torna-se uma aventura atravessá-lo, além de pichações com nomes próprios em sua estrutura., verdadeiro crime contra o patrimônio histórico. Vale a pena visitar esta bela obra da engenharia ferroviária.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Itabaiana


A estação de Itabaiana foi inaugurada em 5 de Janeiro de 1901. Este prédio da fotografia de 2005 é a estação operacional da CFN, atual concessionária da linha. A estação original ainda existe, transformada em sede da Serraria Nossa Senhora Aparecida. Trata-se de um ponto de importante entroncamento ferroviário, que liga a Paraíba de Pernambuco, da estação de Itabaiana seguia para a capital, Ceará e o Rio Grande do Norte.

Manitu




A estação de Manitu foi inaugurada em 19 de Outubro 1922 pela Great Western, como ponta de linha do ramal de Bananeiras. Fica na fronteira com o município de Borborema e trata-se de um povoado de Bananeiras. A palavra Manitu significa "Olho D'água" em Tupi. O início dos trabalhos de prolongamento até Bananeiras foram iniciados em Março de 1920, partindo de Borborema, em 1925 o ramal chegou até Bananeiras, e esta ficou sendo a estação terminal do ramal até sua desativação em 1967. A estação ainda está de pé em 2009, bastante degradada servindo de deposito, uma verdadeira falta de respeito com o patrimonio histórico tão importante quanto este.

Borborema



A estação de Camucá (antigo nome de Borborema) foi inaugurada em 24 de Novembro de 1913 pela Great Western, como ponta de linha do ramal. Em 1922 o ramal foi prolongado até Manitu. Em 1932, a estação e a cidade já se chamavam Borborema. Em 1966, o trem deixou de passar pela estação. Borborema destacou-se por muito tempo na produção de rapadura, existentes nos engenhos do município e em todo o Brejo Paraibano. A vinda dos trilhos em 1913 facilitou o maior escoamento deste e de outros produtos comuns na região. Na época da vinda dos trilhos até Borborema, ela era distrito de Bananeiras. A estação ferroviária de Borborema foi desativada em 1968 pela RFN, por ordem do Governo Federal. O prédio hoje serve como a sede da Secretaria de Educação do município de Borborema.

Alagoa Grande




A estação ferroviária de Alagoa Grande foi inaugurada em 1 de Julho de 1901, Conde D'Eu. Era a ponta de um ramal que ligava o então povoado de Camarazal (antiga Mulungu), pertencente na época ao município de Guarabira, a Alagoa Grande. Na verdade, o ramal deveria continuir até a cidade de Patos, no oeste paraibano, pontaa dos trilhos de um ramal da RVC, e aí formar-se-ia a E. F. Ceará-Paraíba. Em 1922, as obras já estavam adiantadas entre Alagoa Grande e Pocinhos; quem cuidava na época de boa parte das ferrovias do Nordeste, inclusive dali, era o IFOCS (Instituto Federal de Obras contra as Secas) e a ferrovia ali estava sendo contruída não somente como ligação dos dois Estados como também para facilitar a construção dos diversos açudes no Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte que também estavam sendo construídos na época. Com o abandono do projeto todo por Artur Bernardes, Presidente da República empossado em novembro de 1922, alegando falta de dinheiro, a ligação tamém parou, sendo retomada somente nos anos 1950, porém, não a partir de Alagoa Grande, como seria em 1922, mas sim a partir de Campina Grande, até Pocinhos, e dali a Patos, onde a ferrovia já estava desde os anos 1920. De qualquer forma, a chegada do trem Alagoa Grande foi significativa, fazendo com que a cidade e a região experimentasse ainda no primeiro decênio do século XX um rápido crescimento econômico. A estação proporcionou o escoamento do seu maior produto agrícola, o algodão, além de outras mercadorias muito abundantes na região do Brejo Paraibano, como a rapadura produzida por 26 engenhos existentes naquela época no município, fibras de sisal, esta entre os anos 1940 e 1960, e outras mercadorias. A estação também proporcionava a vinda de riquezas econômicas e sócio-culturais para o município, mas foi desativada em Novembro de 1967 pela RFN, por ordem de um decreto do Governo Federal. O prédio da estação ainda está de pé, em ruínas, e os trilhos do ramal foram retirados.

Juazeirinho


A estação de Juazeirinho foi inaugurada em 16 de Janeiro de 1957, o Presidente Juscelino Kubitscheck inaugurou oficialmente a Estação de Juazeirinho, quando foi aberta também o trecho Campina Grande-Juazeirinho. No ano seguinte foi inaugurado o resto do trecho Campina Grande-Patos. (Síntese histórica de Campina Grande, 1697-1964, 2005). Os trens passaram a circular de Campina Grande até Juazeirinho, às segundas e sextas-feiras (jornal Diário da Borborema, 1957). Hoje é uma das estações operacionais da CFN.

Soledade


A estação de Soledade foi inaugurada em 1956 quando o primeiro trem de cargas chegou na estação; no ano seguinte (1957) chegava o primeiro trem com passageiros vindo de Campina Grande. A estrada de ferro exerceu importante papel para o desenvolvimento da cidade de Soledade, mas após o asfaltamento da BR-230 no final dos anos 60 a atividade ferroviária entrou em declínio. A estação ocupa espaço restrito, obedecendo a um estilo simples, sem qualquer sofisticação, fruto, talvez, da rapidez exigida para a conclusão das obras, tendo em vista à extrema necessidade do serviço em terminar o trecho que ligaria o Ceará ao nordeste ocidental. O prédio caracteriza-se principalmente pela simplicidade de sua volumetria. Como o seu objetivo básico era abrigar passageiros para embarque e desembarque, a arquitetura não teve maiores ambições plásticas, sendo ela construída em art decô, contemplando apenas os espaços imprescindíveis para atender adequadamente aos passageiros. A estação encontra-se hoje desativada (desde 1997) e o prédio está em ruínas, bem como o seu armazém, ambos tomados pelo mais completo abandono. Junto à estação existe uma ponte sobre o riacho do Padre, e em frente ao pátio, uma fábrica de caulim.

Mogeiro


A estação de Mogeiro foi inaugurada oficialmente em 2 de Outubro 1907 pela Great Western, no trecho Itabaiana-Campina Grande. No entanto o prédio da estação foi construída antes (1905/06). A estação e seu armazém foram demolidos completamente há mais de 10 anos atrás. Praticamente nada do prédio restou, apenas na sua frente uma caixa d'água que abastecia as antigas locomotivas, construída muitos anos depois da estação com um depósito subterrâneo de água.

Pocinhos


Construção da linha em 1922 desativada em seguida


Por muitos anos, desde os anos 1920, a cidade de Pocinhos esteve destinada a ser passagem da linha que ligaria a Paraíba ao Ceará (E. F. Ceará-Paraíba). Em 1922, havia intensas obras da ferrovia na região, abandonadas logo em seguida. Quem cuidava na época de boa parte das ferrovias do Nordeste, inclusive dali, era o IFOCS (Instituto Federal de Obras contra as Secas) e a ferrovia ali estava sendo contruída não somente como ligação dos dois Estados como também para facilitar a construção dos diversos açudes no Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte que também estavam sendo construídos na época. Com o abandono do projeto todo por Artur Bernardes, Presidente da República empossado em novembro de 1922, alegando falta de dinheiro, a ligação tamém parou, sendo retomada somente nos anos 1950, porém, não a ligando Alagoa Grande a Pocinhos, como seria em 1922, mas sim Campina Grande a Pocinhos, e dali a Patos, onde a ferrovia já estava desde os anos 1920. A estação de Pocinhos foi inaugurada em 1954 pela RFN, na ligação ferroviária Patos-Campina Grande. Por muito tempo a estação serviu de parada para passageiros no ramal de Campina Grande. Também era por ela que se exportava o maior produto da região, o sisal, para o porto de Cabedelo, proporcionando inúmeros benefícios para a cidade de Pocinhos. Infelizmente depois da privatização da RFFSA em 1997, o produto não pôde ser mais exportado através da estação. A estação é semelhante estruturalmente com as estações de Puxinanã, Soledade e Juazeirinho. A estação de Pocinhos foi desativada na década de 1990, pela RFFSA. O prédio hoje serve como moradia. A vila ferroviária também está de pé. Já o armazém está em ruínas, sem o teto (2006). A estação serviu de cenário no final do filme "Cinema, Aspirinas e Urubus", de 2005, ambientado, entre outros locais, em Pocinhos. Com três erros históricos graves: em 1942, nem a estação existia, nem havia linha ali, nem o trem poderia ir dali a Fortaleza (como aparecia no filme), nem a Great Western tonha locomotivas diesel (nessa época de 1942, apenas a VFFLB, na Bahia, as possuía no Brasil). Além do mais, a pintura não condiz com nenhuma pintura da GWBR, sendo esta uma pintura moderna.

Puxinanã



A estação de Puxinanã foi inaugurada oficialmente em 4 de Abril de 1951 pela RFN, na ligação ferroviária Patos-Campina Grande. A estação de Puxinanã se chamava Floripes Coutinho, em homenagem ao importante chefe político da região de Pocinhos e Puxinanã falecido na década de trinta. De acordo com a matéria da revista Manaíra, de Campina Grande, de junho de 1951, “dezenas de automóveis não conduziriam no dia 4 de Abril do corrente ano a quantidade de homens e mulheres que três lastros trouxeram à Puxinanã nesse dia para assistirem a inauguração do trecho da Rêde Ferroviária do Nordeste. A festividade foi imponente dentro daquele ambiente de alegria e simplicidade em que os Drs. Pedro e Camilo Collier se apresentavam risonhos e cheios de satisfação pela conquista de mais um povoado ligado à rainha da Borborema através do prolongamento da estrada de ferro Campina Grande-Patos. Ali muitas famílias poderão construir as suas casas residenciais e terem tranzações diárias com Campina Grande tamanha a facilidade de transporte adquirida com a realização excepicional da Empreza Construtora Camilo Collier Ltda. A inauguração, naquele dia, na área jurídica de Puxinanã, do trecho da estrada de ferro que liga Campina Grande ao Estado do Ceará foi presenciada por autoridades federais e estaduais. Destacamos entre as pessoas presentes o sociólogo Lopes de Andrade representante do Exmo. Sr.. Governador José Américo de Almeida, prefeito Elpídio de Almeida, major Antonio Rodembusch vice-prefeito de Campina Grande, major Brigadeiro Alvaro Recker, Cel. Braulio Domingos, Cte. Militar da Rede 7ª, Cap. R. H.. Dobson, representante do Cte. Da 7ª Região Militar, Eng. Vicente de Brito Pereira, diretor do DNEF, Eng. Cornélio Júnior, chefe do D. Fiscal, Eng. Lauriston Pessoa Monteiro, chefe da DC-3, Eng. Gercino Pontes, diretor da RFN, Sr. João Justino Leite, Inspetor de Tráfego de RFN, srs. Aquilino Porto e Caminha França respectivamente, chefes de Tráfego e Linhas, drs. Cláudio Albuquerque do DNEF, Hortencio Ribeiro e outras pessoas de destaque”. É interessante notar que, apesar da festa de 1951, somente em 1958 a linha até Patos foi aberta com um trem regular: basta se verificar os guias ferroviários entre 1951 e 1958. Existiriam trens esporádicos para servir as cidades por onde a linha já estava operante? Não consegui esta resposta. Por muito tempo a estação serviu de parada para passageiros no ramal de Campina Grande. Também servia de transporte para mercadorias provenientes da região. O prédio apresentava uma volumetria retangular com platibandas, a plataforma de embarque e desembarque era de concreto armado, possibilitando a total desobstrução do espaço destinado aos passageiros, o imóvel apresentava traços que lembravam o Art D'ecó; o armazém e as duas casas da velha estação seguiam o mesmo estilo arquitetônico da estação. A estação era semelhante estruturalmente com as estações de Pocinhos, Soledade e Juazeirinho. A estação de Puxinanã foi desativada na década de 1980 pela RFFSA. Infelizmente o prédio foi demolido alguns anos atrás restando apenas a plataforma de embarque no local. "A estação se chamava Floripes Coutinho (só a estação, pois a cidade se chama Puxinanã mesmo), nome de um importante político da região de Pocinhos e Puxinanã, falecido na décade de 1930. Na época do prolongamento da linha de Campina Grande na região (1948/49), mais de 2.000 tiros de dinamite foram dados para abrir passagem, isso por causa do terreno pedregoso e elevado do município de Puxinanã: diversos cortes em rochas foram feitos. Desta forma hoje Puxinanã é conhecido como a "A cidade dos lagedos", devido à grande quantidade de grandes rochas na região que se estende até Pocinhos. O município de Puxinanã foi emancipado em 1961". Apesar da afirmação de Rodrigues que o nome da estação era diferente do da cidade, em nenhum guia ferroviário da época este nome aparecia: era Puxinanã mesmo. Desta forma o município é conhecido como “A cidade dos lajedos”. Em 1958 a RFN terminou e entregou a ligação ferroviária entre Patos e Campina Grande. Esta linha possibilitou a ligação entre as principais capitais nordestinas, e conseqüentemente, a ligação entre o Nordeste com o Sudeste e Sul do Brasil. A estação foi desativada nos anos oitenta depois da desativação do tráfego de passageiros. Tempos depois todo o complexo ferroviário foi demolido como, estação, armazém e vila. Infelizmente não houve a preocupação de preservação de um marco tão importante para a cidade de Puxinanã.

Ingá


A estação de Ingá foi inaugurada em 2 de Outubro de 1907 pela Great Western, no trecho Itabaiana-Campina Grande. Na estação de Ingá foram encontrados um relógio antigo do início do século XX, e uma balança de pesar algodão também do início do século XX. A estação foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artistico do Estado da Paraíba (IPHAEP), em 2001. Possui volumetria singela arrematada por coberta aparente em telha cerâmica canal em duas águas, com cumeeira central disposta no sentido longitudinal do edifício. A construção compreende 91 m² de área coberta abrigando bilheteria, residência do agente e um depósito, além de uma “casinha” – banheiro separado com 2.3 m². O comprimento total da plataforma é de 15 metros. A estação fica localizada a 2 Km do centro da cidade de Ingá e a 7 Km da parada das Itacoatiaras de Ingá – sítio arqueológico. O prédio está abandonado.

Ingá



A estação de Ingá foi inaugurada em 2 de Outubro de 1907 pela Great Western, no trecho Itabaiana-Campina Grande. Na estação de Ingá foram encontrados um relógio antigo do início do século XX, e uma balança de pesar algodão também do início do século XX. A estação foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artistico do Estado da Paraíba (IPHAEP), em 2001. Possui volumetria singela arrematada por coberta aparente em telha cerâmica canal em duas águas, com cumeeira central disposta no sentido longitudinal do edifício. A construção compreende 91 m² de área coberta abrigando bilheteria, residência do agente e um depósito, além de uma “casinha” – banheiro separado com 2.3 m². O comprimento total da plataforma é de 15 metros. A estação fica localizada a 2 Km do centro da cidade de Ingá e a 7 Km da parada das Itacoatiaras de Ingá – sítio arqueológico. O prédio está abandonado.

Galante




A estação de Galante foi inaugurada em 2 de Outubro de 1907 pela Great Western, no trecho Itabaiana-Campina Grande. O trecho da linha saía de Itabaiana para Campina Grande, e o distrito de Galante foi contemplado com este benefício. Desta estação partiu a locomotiva nº 3, que inaugurou no mesmo dia da de Galante a estação ferroviária de Campina Grande. Este ramal ligando a cidade de Itabaiana até Campina Grande possibilitou a ligação desta estação até a capital do estado, facilitando o escoamento de seu principal produto, o algodão. A estação de Galante, que se chamou Álvaro Machado durante algum tempo, por volta de 1960 e depois retomou seu nome; está desativada desde 1997, pela RFFSA. Durante o mês de junho, ocorre o famoso passeio junino "trem do forró". Esta atração consiste em trens de passageiros sair da velha estação de Campina Grande até a estação de Galante, que fica no distrito do mesmo nome, viagem esta animada por "forrozeiros", atraindo um grande número de turistas para este passeio ferroviário. O prédio da estação está hoje descaracterizado, tendo recebido um "puxadinho" na parte oposta à plataforma, claramente identificado no desenho e na foto de 2007, abaixo. O conjunto compreende aproximadamente 440 m² de área coberta abriga ndo bilheteria, residência do agente, caixa d’água e galpão para abrigar equipamentos e operários da CFN responsável pela manutenção da linha, cozinha e banheiros/vestiários. No centro da cidade de Galante, a estação esta localizada num platô que permite visualizar o vale e ao fundo a Pedra de Santo Antônio, no município vizinho de Fagundes.

A história da estação ferroviária de Campina Grande



A estação original de Campina Grande foi inaugurada em 2 de Outubro de 1907 pela Great Western, como ponta de linha do ramal de Campina Grande. "O ano era 1907. Um sentimento de euforia e surpresa tomava conta dos moradores de Campina Grande com a notícia de que chegaria à Estação Ferroviária Great Western - hoje conhecida popularmente como Estação Velha - do primeiro trem que atenderia à população da Rainha da Borborema. O trecho da linha saía de Itabaiana com destino a Campina Grande, passando pelo distrito de Galante. A chegada oficial do trem na Estação de Campina Grande é datada de 2 de outubro de 1907, mas estudiosos como Epaminondas Câmara - autor do livro Datas Campinenses - registrou que em 7 de setembro daquele ano a máquina começou a trafegar, ou seja, há 99 anos. Em quase um século de história, especialistas confirmam a importância deste segmento para o desenvolvimento urbano e econômico campinense e criticam a falta de conservação em alguns trechos do Sertão paraibano, por onde a linha férrea passava, que hoje estão jogados ao descaso. O meio de transporte hoje é utilizado apenas para carregamento de mercadorias. "Onde o trem chegava havia uma movimentação econômica muito grande sem contar nas mudanças comportamentais e culturais que a chegada da novidade promovia no cotidiano da população ", explica o professor Gervácio Batista Aranha, do departamento de História da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). O professor estuda o fenômeno do sistema ferroviário no Nordeste; inclusive a tese de que defendeu no doutorado pela Universidade de Campinas (Unicamp) teve como tema "Trem, Modernidade e Imaginação na Paraíba e Região". Até a década de 40, a estação foi ponto de destaque no desenvolvimento econômico e cultural campinense. O transporte de produtos - como o algodão - para outros portos do Brasil e Europa levava e trazia novidades e riquezas, influenciando na vida das pessoas. Como todo importante ato histórico, a chegada do primeiro trem à estação de Campina Grande foi marcada por uma grande presença popular com a participação de autoridades que estruturavam o cenário político da época. Documentos da época mostram que uma banda de música animava o momento e fogos de artifícios convidavam a população local a participar da festa. Uma comitiva da empresa Great Western chegou por volta do meio-dia da quarta-feira, dia 2 de outubro de 1907. Na recepção o prefeito Cristiano Lauritzen acompanhado do major Lino Gomes, major Juvino do Ó, Alferes Manuel Paulino de Morais, professor Clementino Procópio, monsenhor Sales, Tito Sodré, Benedito Rodrigues, dr. Afonso Campos, dr. José Pinto, Manuel Lins de Albuquerque e os irmãos Cazuza, Miguel e Francisco Barreto engrossavam a lista de personalidades presentes ao momento histórico. O orador da solenidade era o médico e empresário Assis Chateaubriand Bandeira de Melo. Às seis horas da tarde - depois de um atraso de quatro horas - os presentes no local avistaram de longe a máquina - enfeitada com folhas de palmeiras e duas bandeiras do Brasil - e o apito anunciava a tão esperada chegada do trem à Rainha da Borborema. O professor Gervácio Batista Aranha explica que na época da inauguração, Campina Grande possuía apenas cerca de seis mil habitantes, sendo que quase quatro mil pessoas compareceram ao evento. "Era a realização de um sonho alimentado por mais de duas décadas pela população e autoridades locais", frisa. Mas foi necessário um pouco de pressão política para que o sonho se tornasse realidade. Documentos que tratam do assunto mostram que o prefeito da cidade na época, Cristiano Lauritzen, foi duas vezes ao Rio de Janeiro para conseguir recursos e apoio federal para construção de uma linha férrea para Campina Grande. "Havia muito jogo político nesse sistema, o que deixou muitas cidades prejudicadas", destaca o professor. O funcionamento do sistema ferroviário no Brasil está ligado diretamente às mudanças de costumes e comportamentos na vida da população campinense, assim como aconteceu com as demais cidades do País que eram atendidas pelo sistema de ferrovias. A conexão com outros pólos econômicos e sociais possibilitou aos campinenses o contato com culturas de outras partes do País, influenciando no modo de viver da sociedade. No transporte de passageiros, o trem mais famoso na cidade foi o Asa Branca que fazia a linha entre Recife (PE) e Fortaleza (CE), passando por João Pessoa e Campina Grande Era sagrado. Todos os dias havia um trem saindo de Pernambuco e outro do Ceará. O som do trem servia de base de horário para muitas pessoas. "Muitas famílias modelavam seu dia a partir do horário de chegada do trem. Se o trem chegava na estação às 9 horas, as tarefas eram divididas em depois e antes da chegada do trem, explica Gervácio. Sob a alegação de inviabilidades econômicas o governo federal começou a desativar diversos trechos pelo País. Hoje, a imagem mais presente no cotidiano dos campinenses sobre o sistema ferroviário é o funcionamento do trem do forró, durante os festejos do Maior São João do Mundo. O passeio sai da Estação Velha com destino ao distrito de Galante. Na estação também funciona o Museu do Algodão" (Jornal da Paraíba, 03/09/2006). Somente em 1958, a já Rede Ferroviária do Nordeste terminou e entregou a ligação ferroviária entre esta estação e a de Patos, no ramal da Paraíba da RVC, e a RFFSA, já controlando as duas linhas, incorporou não só o trecho Patos-Campina Grande como também o trecho Souza-Patos à rede da RFN. "A estação nova de Campina Grande foi inaugurada no dia 14 de Fevereiro de 1961 pela RFN, em um lugar mais amplo para as máquinas poderem fazer suas manobras, no intuito de expandir os serviços ferroviários em Campina Grande. Sua construção remonta ao ano de 1957, quatro anos antes, em virtude da comemoração do cinqüentenário de chegada do trem a Campina Grande. Ela passou recentemente por uma reforma, a cargo da atual concessionária, a CFN. A edificação apresenta característica do estilo Modernista, e suas linhas arquitetônicas lembram o Lyceu Paraibano, da Capital do Estado. Sua fachada é ornamentada por um painel decorativo, da autoria de Paulo Neves do ano de 1960. O nº do seu patrimônio inscrito na antiga RFFSA é 1240148. A estação foi tombada pelo IPHAEP em 2001. Possivelmente, o imóvel abrigará no futuro o Museu da CFN. Encontra-se em frente à sua plataforma uma placa alusiva ao Cinqüentenário da chegada do 1º Trem de Ferro a Campina Grande como 'marco da valorização econômica do interior Paraibano" (Jônatas Rodrigues, 02/2009).