quarta-feira, 8 de abril de 2009

Renaissance

Primeira formação
Segunda fomação
Primeiro album de 1969
Um dos maiores sucessos. Scheherazade and Other Stories de 1975.
História

A história da primeira fase do RENAISSANCE começou em 1969 que se extendeu até 1971. Era formada por Keith Relf, Jim McCarty, Jane Relf, John Hawken e Louis Cennamo. Um ano antes, com término dos YARDBIRDS, uma banda de hard rock, (que durou de 1962 a 1968), os ex-integrantes Keith Relf e Jim McCarty reuniram-se para formar um novo grupo de rock que pudesse ser o renascimento do sentimento clássico. Por isso foi escolhido o marcante nome Renaissance. O gênero musical predominante seria art-rock e clássico-folk, com características progressivas, trazendo de volta todo aquele sentimento renascentista. Então, Keith convidou sua própria irmã Jane para para participar dos vocais, além dos velhos companheiros de jornada dos YARDBIRDS, John Hawken (piano clássico) e Louis Cennamo (baixos) e Chris Dreja (baixos). A primeira semente do novo sonho coletivo de uma nova banda já estava plantada. Por volta de 1968, Keith Relf e Jim McCarty tinham planejado formar um dueto que se chamaria TOGETHER, mas resolveram formar um sexteto com o nome RENAISSANCE, ou seja, o renascimento da música.
Finais dos anos sessenta, lançaram o primeiro álbum com uma capa de luxo, amarelada com foto de uma ruína, o vinil RENAISSANCE (1969), produzido por Paul Samwell-Smith. O disco traria faixas que eram totalmente diferentes do que eles vinham fazendo antes, nos tempos dos YARDBIRDS. As cinco faixas, lançadas em vinil, eram "Kings & Queens", "Innocense", "Island", e "Wanderer" e "Bullet". Uma outra faixa "The Sea" ficou de fora, quando eles decidiram lançar o LP, que só foi incluída no formato CD, tempos depois. O improviso passou a ser uma das características marcante da banda. As melodias, as letras e os arranjos eram suaves, quase acústico, muito bom de ouvir e de assistir ao vivo. Partiram para turnês de lançamento e obtiveram boa aceitação do público em geral, com saldo positivo. Resolveram providenciar o próximo álbum.

Ilusionismo ou mera ilusão
Início da década de setenta, o grupo RENAISSANCE resolveu entrar em estúdio para gravar mais uma preciosidade, com o novo álbum em vinil ILLUSION (1971), registrando seis faixas inéditas ao som ilusionista ou espacial. Jane Relf divide os vocais com seu irmão Keith. Participaram do disco, além dos integrantes anteriores, participaram também Terry Crowe, Michael Dunford, Neil Korner, Don Shin e Terry Slade. Dentre as seis faixas incluídas foram "Love Goes On", "Golden Thread", "Love Is All", Mr Pine, "Face Of Yesterday" e "Part Orbits Of Dust". Jane, Keith, Jim e Terry dividiam os vocais.
Por ironia profissional ou mera ilusão anterior, veio outra surpresa: depois de alguns desentendimentos e conflitos internos e profundas reformulações, todos resolveram abandonar de vez a banda. Consequentemente, esse segundo LP ficou órfão quanto a divulgação do mesmo, e Binky Cullom assumia os vocais, no lugar de Jane. Na ocasião, esse segundo álbum só foi lançado na Alemanha. Consequentemente, os dois únicos que deram raízes à primeira fase do Renaissance, ainda permanecem como raridades atuais. Não existem vestígios de relançamentos para o grande circuito comercial, por parte de outras gravadoras, e muito menos no Brasil. Aliás, a mídia brasileira injustiçou muito a essa grande banda e o recurso só foi restado para importadoras, a um preço altíssimo. "Mas, a Internet é o sonho de todos", apelo de fãs.
Terminada a primeira fase, considerada pré-RENAISSANCE, é consolidada uma nova e longa história do rock progressivo, a partir de 1972. Os integrantes originais já não participavam. Começaria uma segunda fase da banda Renaissance, totalmente reformulada. Michael Dunford assumiria a frente do novo grupo, ao integrar decisivamente o que se pode considerar por RENAISSANCE II. O ritmo e o gênero também começavam a sofrer mudanças, porque eles convidavam uma orquestra inteira para participar dos discos. Entrava em cena, substituindo os vocais de Jane, a poderosa e a mais conceituada musa do gênero progressivo, a jovem vocalista Annie Haslam.
Há 38 anos, nascia em Surrey, Inglaterra, a legendária banda de rock, gênero progressivo, batizado por RENAISSANCE. Mesmo com profundas mudanças no line-up foi esse grupo quem marcou os finais dos anos 60, toda a década de 70, e seguintes. Keith Relf tinha morrido eletrocultado por uma guitarra elétrica, o instrumento preferido dele, em maio de 1976. Em 1977, foi formada a banda ILLUSION, trazendo Jane Relf nos vocais principais. Gravaram três álbuns históricos, no gênero progressivo. Inclusive, ela foi a principal idealizadora da banda, concretizando um sonho do falecido irmão Keith.
Assim como os Yardbirds lançaram três grandes guitarristas da história do rock, JIMMY PAGE (do Led Zeppelin), ERIC CLAPTON e JEFF BECK, o Renaissance também lançou as carreiras solos bem sucedidas de Jane Relf, Annie Haslam, Jim McCarty, John Hawken, Terry Sullivan e outros. Surgiram novas bandas, como LED ZEPPELIN, ILLUSION, JEFF BECK GROUP, STAIRWAY, PILGRIM, RENAISSANT, além da recente volta dos NEW YARDBIRDS e da possível volta do RENAISSANCE, com a formação clássica. Em meio à glória e ao sucesso, a história da banda RENAISSANCE III seguiu-se, a partir de 1983, a trajetória sombria e por um clima de instabilidade total e, consequentemente, pela decadência do bom e o velho rock progressivo. Confira, desde já, um Boletim sobre a trajetória da vocalista Annie Haslam.

São os principais nomes de álbuns oficiais que marcaram toda a década de 70 e início dos anos 80, com a banda Renaissance. De volta ao sentimento clássico, com o folk, art-rock e permanentes suítes sinfônicas, dozadas de experimentalismo com parcelas de improvisos, ressurgia das cinzas musicais uma das maiores bandas de rock progressivo do mundo: o quinteto Renaissance, com Michael Dunford (guitarra), Annie Haslam (vocais), Terence Sullivan (bateria/percussão), John Tout (teclados), Jon Camp (baixo) e a letrista Betty Thatcher Newsinger.
Essa segunda fase, que pode ser considerada por muitos, Renaissance II, que começa com o LP "Prologue" que vai até o "Time-Line" (1983). Por ser considerado o ícone no gênero progressivo, então vale a pena embarcar nessa longa e inesquecível viagem fantástica pelo rock. Tudo isso é atribuído, substancialmente, com a principal entrada de Annie Haslam na liderança do vocais.
A história da primeira fase do Renaissance começou em 1969, Renaissance I com os ex-membros dos Yardbirds, Keith Relf e Jim McCarty, mas resolveram abandonar a banda, depois de gravarem apenas dois álbuns históricos. Essa fase, inclusive, é considerada pré-Renaissance, que extende até 1971. Os novos integrantes entram em estúdio para gravarem um álbum conceitual, o que marcaria a segunda fase do grupo Renaissance. A história estava só recomeçando, porque essa seria a mais longa e estruturada banda de rock, com a formação clássica, que o gênero progressivo conheceu.

O Recomeço
O álbum PROLOGUE (1972) foi o marco do renascimento do legendário grupo Renaissance, com sua nova formação, trazendo nas seis faixas tudo aquilo de que o rock progressivo precisava para recompor a volta do sentimento clássico. Se os grandes mestres Rachmaninoff ou Rimsky-Korsakov estivem vivos estariam na primeira fileira para aplaudir as performances da banda. O LP foi lançado pela gravadora Repertoire e, aqui no Brasil, pela Wea. A faixa título abre, simplesmente, com a vocalização da estreante no grupo, a soprano Annie Haslam. Seguidas pelas canções "Kiev", "Sounds Of The Sea", "Spare Some Love", "Bound For Infinity" e "Rajah Khan". Apesar de que o guitarrista Michael Dunford não foi creditado na capa do disco, como integrante principal, ele participou e tocou. Em seguida, ele se tornou o mentor de todo o grupo, ao lado dos companheiros membros.
IN THE BEGINING é um álbum duplo lançado em 1978, no Brasil, pela gravadora EMI-Odeon/Sovereign, reunindo "Prologue" e "Ashes Are Burning", com a faixa At The Harbour editada do segundo disco. Em onze anos, o grupo havia lançado dez álbuns oficiais e duas compilações, em dose dupla. Em 1980, foi a vez do outro LP duplo ROCKY GALAXY incorporando, na íntegra, o TURN OF THE CARDS e SCHEHERAZADE, não lançado no Brasil.
Foi representado o momento auge da formação clássica do quinteto, com estabilidade maior, por parte dos seus integrantes, sendo eles Michael Dunford, Annie Haslam, Terry Sullivan, John Tout, Jon Camp e a letrista principal Betty Thatcher-Newsinger. Para integrar o grupo foi convidado para participar do primeiro álbum o guitarrista Rob Hendry (que também tocava mandolin, cimbais, além de vocalizações). Nesse álbum conceitual teve, também, a participação de Francis Monkman (tecladista do CURVED AIR), solo de VCS 3 na música Rajah Khan, com vocalização principal da estreiante Annie.
Historicamente, essa fase foi marcante para o grupo Renaissance, porque a voz feminina e com alcance de cinco oitavas, era liderada pela soprano Annie Haslam. Os grandes arranjos, explorando mais o lado clássico e sinfônico formavam uma perfeita sinfonia com belíssimas vocalizações de todos os componentes. Era permanente a contratação de conceituadas orquestras para participarem dos principais álbuns da banda. Substancialmente, é por isso que Renaissance é considerado uma das maiores bandas de rock progressivo do planeta, sobretudo, influenciando outros grandes grupos do mesmo gênero musical.

A Fase Áurea e o Declínio
A partir do lançamento em LP PROLOGUE, ano de 1973, foi a vez do que se pode chamar de continuação do primeiro, o álbum ASHES ARE BURNING. A banda ficou mais conhecida e as músicas já estavam sendo as mais pedidas durante as apresentações ao vivo. As belas canções como "Carpet Of The Sun" , "Let It Grow" , "Spare Some Love" e "Sounds Of The Sea" são ainda veiculadas pelas rádios FMs. A cada ano, um novo álbum oficial era lançado pelo grupo. A produção aumentava cada vez mais. Dentre os oficiais, estão TURN OF THE CARDS (1974), SCHEHERAZADE And The Other Stories (1975), LIVE AT CARNEGIE HALL (duplo, 1976), NOVELLA (1977), A SONG FOR ALL SEASONS (1978), AZURE D´OR (1979), CAMERA CAMERA (1981), TIME-LINE (1983), concluindo a bem sucedida segunda fase, aqui denominado de Renaissance II.
Mas, em 1980, a banda sofre a primeira mudança, reduzida a três: Annie, Michael e Jon Camp. Eles convidavam outros músicos para participarem dos dois últimos trabalhos em estúdio. Nessa mediação, também foi criado o dueto NEVADA, com Annie Haslam e Michael Dunford. Com esse nome gravaram dois compactos duplos, com músicas inéditas e distintas das fases anteriores da banda Renaissance. Outras histórias começaram com a fada madrinha do gênero progressivo.

As chamas estão acesas
O grande estouro da banda Renaissance, na sua segunda fase, foi em 1973, com o lançamento do virtuoso LP ASHES ARE BURNING. Nele, com a saída do guitarrista Rob Hendry, entrou o efetivo compositor Michael Dunford com o seu violão. Nesse álbum teve a participação do guitarrista Andy Powell com um solo de guitarra memorável na música "Ashes Are Burning", faixa que deu título ao disco, sendo que todas as músicas são inteiramente inéditas e de grande aceitação dos fãs. O grupo provou que, mais uma vez as chamas do rock progressivo estavam, mais do que nunca, acesas.Em 1974, foi a vez do inédito LP TURN OF THE CARDS, que é considerado pela crítica, o melhor disco da carreira do Renaissance, porque trouxeram pérolas executáveis do autêntico rock progressivo. O disco abre com a faixa poderosa "Runing Hard", seguida por "I Think You", juntamente com "Cold Is Being" e "Things I Dont Understand". Mas, as saudosas canções "Black Fame" e "Mother Rússia" revelam o grande valor vocal da soprano, fada-madrinha Annie Haslam.
A fase dourada da banda Renaissance não acaba aí. Eles chegam ao ponto máximo, com o lançamento expressivo e renascentista álbum SCHEHERAZADE. Dentre as outras estórias, está a épica "Song Of Scheherazade", com 24 minutos de duração. Embora a faixa "Ocean Gypsy" é considerada um dos melhores momentos da banda e mais executada em seus shows, porque a banda ao vivo é uma celebração. Esse álbum foi tão executado, que ele deu origem, em 1976, um duplo lançamento, denominado de LIVE AT CARNIGIE HALL, incluindo obras anteriores. As músicas são tão bem executadas que chega confundir com as versões de estúdio. Destaque maior, também para a versão de 23 minutos de duração, com a canção carro-chege do grupo "Ashes Are Burning", sobressaindo com uma estridente vocalização da grande musa Annie Haslam.
A banda Renaissance não parava nunca. Esse período foi o seu auge. Em 1977 é lançado mais um inédito long play NOVELLA, contendo pérolas como "The Sisters", "Can you Hear Me?", "Midas Man", "Capteded Heart" . O ano de 1978 a banda Renaissance lançava mais um clássico do progressivo, com a Royal Philarmonica Orchestra. A SON FOR ALL SEASONS, trazendo em suas faixas o tema de um seriado para TV americana, a música "Back Home Once Again". Nessa ocasião, Annie Haslam lançou o seu primeiro disco solo, com o álbum "Annie in Wonderland", produzido pelo ex-marido Roy Wood. Devido ao sucesso do grupo, a gravadora resolveu compilar os dois primeiros álbuns do Renaissance, titulado IN THE BEGINNING (duplo, 1978), inclusive lançado no Brasil com a famosa capa dupla com uma loura deitada na áreia ao som do mar cigano.

O som sinfônico
A famosa e conceituada Orquestra Filarmônica Real, formada na Inglaterra em 1947, foi convidada para participar de álbuns para a banda Renaissance, sobretudo, o segundo solo de Annie Haslam "Still Life" (1995). Além do gênero clássico, a Orquestra contém coral, ballet, bem como instrumentos populares, inclusive já tocou e acompanhou trabalhos com John Lennon, Paul McCartney (Beatles), Roger Waters (Pink Floyd), Freddie Mercury (Queen), Denny Laine (Moody Blues), Keith Richards (Rolling Stones), Mike Oldfield, Deep Purple, dentre outros grandes nomes no panorama do Rock.
A banda abandona aquele som sinfônico de grandes orquestras, em 1979, fechou a década aderindo a músicas mais dançantes, com faixas mais curtas, dando lugar aos sintetizadores. Naquele ano, foi então lançado o LP com um título em francês "Azure D´Or". Com a mudança radical, foram divulgados clipes da banda, com Annie interpretando as principais faixas do disco "Jekyll and Hyde", "Winter Tree", e a clássica "Carpet Of The Sun" (em versão acústica) dentre outras. Até aí a banda estava com sua formação original do quinteto: Haslam/Dunford/Camp/Tout/Sullivan. Essa foi a grande virada do grupo Renaissance, em sua segunda fase clássica, mas não agradou grande parte dos fãs.
Os integranters John Tout e Terence Sullivan deixaram a banda alguns meses depois do lançamento. Em 1980, por iniciativa da gravadora Sire foram relançados mais um duplo ROCK GALAXY, que reunia o terceiro "Turn Of the Cards" e o quarto "Scheherazade and The Other Stories". Mesmo com toda a mudança no estilo musical que, também, viria pela frente, a banda Renaissance não desistiu e colocou em circulação comercial mais dois álbuns, com características do anterior.

Decadência do Rock Progressivo
Reduzido a três, meados de 1981, lançaram CAMERA CAMERA, um Renaissance mais elétrico, cheio de chicotadas no desenrolar das músicas. Jon Camp assinou a maioria das letras. Quando se pensava que tudo parecia o fim, chegava às lojas o inédito TIME-LINE, sem nada de progressivo. Já que tudo tem seu começo, o meio e o fim, só o tempo poderia responder a essas perguntas. Mais uma vez, ainda não era o fim. A banda prosseguiu com as turnês mundiais. Teve boa aceitação na terra do sol nascente, Japão. Muitos dos seus discos foram remixados e relançãdos pelo selo japonês, com alta fidelidade e qualidade de som.
Desde os finais dos anos setenta, em pleno auge das discotecas, a chamada "era disco", a maioria das gravadoras investia no novo gênero dançante, porque era mais comercial e, no entanto, de maior interesse para elas. Na realidade, era mais vendas de discos e retorno financeiro imediato. Relativamente, o gênero rock progressivo entrava em declínio, porque as bandas mais conceituadas também eram pressionadas a se adaptarem. A onda não era arriscar mais aquelas belas suítes sinfônicas, características das antigas fases experimentais do rock-art. As faixas tinha que ser necessariamente mais curtas, mais expressivas em respostas do momento histórico, embora não caísse a qualidade musical e a criatividade do artista. Mas, a maior parte do fãs era exigente e não aceitava a idéia da mudança. Por conseguinte, houve assustadora queda de vendagem de seus discos.

NEVADA - dueto de vida curta
A banda Renaissance também sofreu forte influência com o novo gênero que estava em voga, a "New Wave Music", sendo que a vocalista Annie Haslam teve que se adaptar, embora se sobressaindo muito bem, tanto nas gravações em estúdio como nas apresentações ao vivo. O reflexo negativo foi evidente e a maioria dos curtidores da banda achava que tudo aquilo era realmente o fim. "Mas, ainda não era!", retrucavam sempre Annie e Michael Dunford. Nessa ocasião, eles formaram um dueto, de vida curta, titulado NEVADA, chegando a gravar alguns compactos duplos. O motivo dessa banda de vida curta era divulgar todo o trabalho que o Renaissance havia sendo feito. Nos shows eles apresentavam belas e velhas canções, desde os primórdios do disco PROLOGUE. Os shows eram sucessivos, mas a vendagem dos seus últimos álbuns caiu assustadoramente. Os fãs veteranos não aceitavam a brusca mudança e queriam ver o Renaissance se apresentar de todo jeito.
Em boa hora o vinil AZURE D´OR tenha ficado como o álbum da grande virada do grupo Renaissance, gravado em 1979. Dois anos depois, chegava às lojas o inédito CAMERA CAMERA (1981), trazendo a música "Okichi-San", dentre outras, para lembrar os bons e velhos tempos da banda na sua fase áurea. A mudança no estilo ficava cada vez mais evidente. A banda também mudou de gravadora. Novas tentativas eram sempre frequentes e só com o tempo a solução foi contornada. John Tout e Terry Sullivan já não faziam mais parte do Renaissance, desde 1980. A linha do tempo de mudança já estava com cartas marcadas. Tudo parecia inseguro para as grandes bandas do estilo progressivo. O dançarino, ator e cantor John Travolta embalava os sábados à noite e depois os tempos da brilhantina. A febre dos embalos comandava toda a liderança, através da "disco-music" e "discotecas". Michael Jackson acabava de lançar THRILLER, o marcando o ritmo "break", com músicas dançantes e os mirabolantes rebolados. As gravadoras investiam, sem medo de perder, apostando positivamente naqueles artistas de consumo imediato.

O Epílogo
Através da enorme linha do tempo, apareceria nas lojas o considerado último álbum oficial do grupo Renaissance, TIME LINE. O tripé de sustentação ainda era o mesmo: Haslam/Dunford/Camp. Esporádicas contratações eram sempre feitas integrarem nos grandes shows de lançamento dos respectivos álbuns. Isso acontecia, em paralelo ao dueto NEVADA, que não era considerada uma banda de rock, mas uma tentativa de levar o nome do Renaissance adiante. Isso se deu até a triste separação definitiva, publicada oficialmente, em 1986. Eles tocavam músicas antigas e novas, bem as músicas que o dueto gravaram na sua tenebrosa jornada. A carreira de cada um também se desenvolvia ao longo do tempo.
Ainda usando o nome Renaissance, outros trabalhos foram desenvolvidos, inclusive o projeto Michael Dunford, convidando outra vocalista para participar do THE OTHER WOMAN (1995), OCEAN GYPSY (1997) e TRIP TO THE FAIR (compilação, 1998). A vocalista convidada era Stephannie Adlington, uma jovem americana que também tinha uma excelente voz. Mas, ela quis seguir também carreira solo. Paralelamente aos relançamentos do Renaissance, Annie Haslam também lançavam maravilhosos solos e se impenhou nas composição de suas letras, iniciou também uma nova fase de pintura, com belíssimos quadros. Nascia uma nova Annie Haslam nas Artes Plásticas para concretizar as combinações de sons, cores e vibrações harmônicas. "São pinturas altamente inspiradas e tiradas das suas mais íntimas intuições criativas e experiências espirituais", revela.

Inesperado Show de Despedida
Em 1986, o grupo Renaissance fez sua última apresentação, na Academia de Música na Philadelphia, EUA, que resultou um histórico CD "Unplugged", que só foi lançado 13 anos depois. A publicação do álbum ocorreu em 1999, contendo todas as faixas ao vivo na linda voz de Annie Haslam, recordando os bons e velhos tempos da banda. Houve outros lançamentos inéditos resgatando os melhores momentos do grupo com sua antiga formação. Confira mais em Renaissance III e o Boletim.

Uma das maiores bandas de rock progressivo que acabou de completar os seus 38 anos de existência, então, ela merece todo o respeito do mundo. Possui um volume de obras-primas invejável, chega ser superior a qualquer outra banda do gênero. É, realmente, uma longa viagem histórica pelo rock progressivo. E nessa jornada tão sinuosa da música que o grupo Renaissance vem atravessando por três fases ou divisões distintas: Renaissance I (1969 a 1971), Renaissance II (1972 a 1983) e Renaissance III (1984 até hoje). Tiveram excessivas substituições, mas nunca deixando nada para atrás, a não ser os grandes trabalhos sonoros, que são verdadeiras obras-primas, atribuídas a mais de 35 álbuns, dentre os oficiais e relançados durante o tempo.
A partir dos anos 80, é que os conflitos começaram aparecer. Mas, a banda não tinha ainda se separado completamente. Só foram os dois integrantes do grupo Terence Sullivan e John Tout que partiram para outra. Portanto, Michael Dunford, Annie Haslam e Jon Camp, ao lado de outros convidados experientes, como recomposição, deram prosseguimento, levando o nome do Renaissance, ainda com casas lotadas. Embora o fã queria ver o grupo completo tocando em cena.
Uma grande pausa foi dada, a partir 1987. Um ano antes, foi registrado esse show de despedida da banda Renaissance. Annie Haslam acabaria de lançar o seu segundo álbum solo "Still Life" (1985) e começou as turnês de lançamento. Mas, aquele show de despedida foi realmente acontecido e só foi divulgado tal registro no formato CD "Unplugged", em 1999. Dunford também se empenhou em outros projetos musicais, mas nunca desvinculou do nome "Renaissance" nos seus trabalhos. Durante dez anos de silêncio, a ex-gravadora do grupo relançavam álbuns, com material de estúdio e apresentações ao vivo. E muitas tentativas de volta da banda, com a formação clássica foram feitas.
Desde 1984, só eram feitas algumas turnês, mas não o suficiente para manter a motivação do grupo e, como não se bastasse, a gravadora IRS acabava de rescindir o contrato com Annie e Dunford. Na realidade, o exato motivo era alegado que o estilo de música da banda não combinava ou harmonizava com as propostas da gravadora. A New Wave e o Punk eras os gêneros musicais daquele momento e as empresas do disco queriam crescer seus faturamentos. Conclusão, aqueles grupos progressivos, com músicas de faixas longas, aderidas às suítes sinfônicas tiveram que se adaptarem ao novo estilo, o que estavam predominando naquele oportuno momento.

O Começo do Fim
Desde 1984, considerada a terceira fase do Renaissance, estava explícita um caminho incerto e complexo para a banda. Sem gravadora, as excursões não seriam suficientes para manter a chama acesa do grupo. Nesse período, foram gravadas algumas músicas, mas não foram lançadas comercialmente. A década de 80 foi marcada pela era das grandes discotecas e New Wave, que era o reflexo dos finais dos 70. A músicalidade da banda Renaissance também foi adaptada aos gêneros pop-rock, funk e new wave. Mas, as gravadoras achavam inoportuna tal mudança. Portanto, aquelas epopéias sinfônicas estava totalmente extinta do panorama, transbordado em música de consumo rápido.
Nessa ocasião, John Tout havia abandonado o Renaissance, alegando cansaço e outras particularidades.. O empresário da banda Terry Sullivan também deixou o grupo para trabalhar na Warner Brothers/Sire. Restando simplesmente o efetivo tripé de sustenção: Haslam/Dunford/Camp, mas o futuro era incerto. Camp depois foi se juntar ao grupo CATEDRAL. O pianista raphael Rudd e o baixista/guitarrista Mark Lampariello, unidos a Michael Dunford e Annie Haslam tentaram reformular uma nova versão do Renaissance. Entre 1985 a 1987, os quartros tocaram juntos e apresentadads antigas canções do grupo, incluindo algumas da carreira solo de Annie. Ela tinha acabado de lançar o seu segundo álbum solo, titulado "Still Life". O primeiro solo "Annie In Wonderland" foi em 1977, quando ainda fazia parte do Renaissance.

Concerto de Despedida
O quarteto Renaissance, com apenas dois integrantes da fase clássica da banda, juntamente com Rudd e Lampariello marcaram um concerto de despedida para o dia 6 de junho de 1987, no Club Benéen em Saureville, Nova Jersey, Estados Unidos. Esse concerto especial foi para os amigos e fãs, que muitos acompanharam a história da banda Renaissance desde os primórdios 1972. A vocalista Annie Haslam e seus colegas declaravam ali que a banda estavam se despedindo com muita saudade. Ela declarou, inclusive, que ía continuar sua carreira solo, pelos anos seguintes. Tudo que restou foi as gravações desse show lançadas em 1999, formato CD "Unpplugged Live At The Academy Of Music", gravadora Mooncrest.
Na década de 90, foi a vez dos grandes relançamentos dos álbuns do Renaissance, sendo que a maioria gravações raras de estúdio e, ao vivo. Eram canções que não foram incluídas em álbuns oficiais da banda Renaissance. Nessa época, Annie e Michael Dunford fundaram o selo "The White Dove Organization", gravadora da qual ela lançou a maior parte dos seus solos e alguns do Renaissance. Haslam também se lançou como compositora e, em seguida, como pintora (1999), além do intenso trabalho como vocalista.

Carreiras Solo ou experimentais
A partir de 1995, Michael partiu para alguns projetos solo, sob a luz da banda Renaissance, convidando uma jovem vocalista inglesa Stephanie Adlington. Com esse projeto, titulado Michael Dunford´s Renaissance, foram lançados três álbuns, mas Annie não participa.
Um dos primeiros a abandonar o grupo Renaissance foi Terry Sullivan, que recentemente também lançou um álbum solo "South Of Winter" pela banda RENAISSANT.

Discografia estúdio

RENAISSANCE (Renascimento) - 19691. Kings and Queens, 2. Innocense, 3. Island, 4. Wanderer, 5. Bullet, 6. The Sea (incluída só em CD)
ILLUSION (Ilusão) - 19711. Love Goes On, 2. Golden Thread, 3. Love Is All, 4. Mr Pine, 5. Face Of Yesterday, 6. Part Orbits Of Dust.

PROLOGUE (Prólogo) – 1972
Prologue; Kiev; Sounds of the Sea; Spare Some Love; Bound For Infinity; Rajah Khan.

ASHES ARE BURNING (As Chamas Estão Acesas) - 1973
Can You Understand; Let It Grow; On The Frontier; Carpet of the Sun; At The Harbour; Ashes Are Burning

TURNS OF THE CARDS (Vira as Cartas) – 1974
Running Hard; I Think of You; Things I Don't Understand; Black Flame; Cold Is Being; Mother Russia

SCHEHERAZADE: AND OTHERS STORIES (Scheherazade: E outras histórias) - 1975
Trip To The Fair; The Vultures Fly High; Ocean Gypsy; Song of Scheherazade: Fanfare; The Betrayal; The Sultan; Love Theme; The Young Prince and Princess as told by Scheherazade; Festival Preparations; Fugue for the Sultan; The Festival; Finale.

NOVELLA (Novela) – 1977
Can You Hear Me?; The Sisters; Midas Man; The Captive Heart; Touching Once (Is So Hard To Keep).

A SONG FOR ALL SEASONS (Uma Canção Para Todas as Estações) - 1978
Opening Out; Day of the Dreamer; Closer Than Yesterday; Kindness (At the End); Back Home Once Again; She Is Love; Northern Lights; A Song For All Seasons.

AZURE D’OR (Azul Dourado) – 1979
Jekyll and Hyde; The Winter Tree; Only Angels Have Wings; Golden Key; Forever Changing; Secret Mission; Kalynda (a magical isle); The Discovery; Friends; The Flood at Lyons.

CAMERA CAMERA (Câmera Câmera) – 1981
Camera Camera; Faeries (Living at the Bottom of the Garden); Remember; Bonjour Swansong; Tyrant-tula; Okichi-san; Jigsaw; Running Away From You; Ukraine Ways

TIME LINE (Linha do tempo)– 1983
Flight; Missing Persons; Chagrin Boulevard; Richard the IX; The Entertainer; Electric Avenue; Majik; Distant Horizons; Orient Express; Auto-Tech.

SONGS FROM RENAISSANCE DAYS (As Canções Com Os Dias do Renascimento) – 1997
Compilação de B-sides, demos, e outras gravações feitas entre 1979 e 1988. Todas as canções foram selecionadas por Annie Haslam e Michael Dunford. Africa; Dreamaker; Northern Lights; No Beginning No End; Only When I Laugh; The Body Machine; Writers Wronged; Island of Avalon; America; You.

TUSCANY (Toscana) – 2001
A partir do ano 2000, os remanescentes da formação clássica entram em estúdio para gravar dez inéditas para o CD Tuscany (saudações privincianas onde foi o berço do Renascimento, Itália). Inclusive, há uma homenagem ao Brasil, com a canção "Life In Brazil", condecorada na linda voz de Annie Haslam. Dois anos após, rendeu um duplo ao vivo gravado no Japão. Lady From Tuscany; Pearls of Wisdon; Eva's Pond; Dear Landseer; In The Sunshine; In My Life; The Race; Dolphin's Prayer; Life in Brazil; One Thousand Roses.

Annie Haslam

Annie Haslam é uma das mais versátil vocalista do rock progressivo. Cantora classificada soprano, timbre agudo com alcance de cinco oitavas, Annie é considerada uma das melhores vozes da atualidade, em comparação à diva grega Maria Callas e a peruana Yma Sumac. Com o tempo, foi adquirindo cada vez mais experiências em suas jornadas de trabalho, até que, em 1972, tornou-se vocalista líder na banda Renaissance, ao lado de Michael Dunford e Terry Sullivan, John Tout, Jon Camp e a letrista Betty Thatcher.
Annie veio de uma família de músicos. O pai era comediante amador e a mãe cantora lírica. O irmão Michael Haslam trabalhava e excursionava sempre com Brian Epstein, o empresário do conceituado grupo THE BEATLES na década de sessenta. Nascida em Bolton, Lancashire, Inglaterra, Annie começou a cantar desde cedo, incentivada por amigos e pelo namorado.
Teve aulas de música com uma experiente cantora lírica Sybil Knight. Foi no início da década de setenta, Annie apresentou, pela primeira vez em público, cantando um dos maiores hits dos anos dourados, "Those Were The Days", de Mary Hopkin. Por sorte, foi a sua grande oportunidade de descoberta, porque viria a ser a futura fada madrinha do rock progressivo. Nessa ocasião, foi através de um anúncio de uma revista inglesa especializada em música, Melody Maker, que Annie tomou conhecimento da banda Renaissance.

Carreira solo
Na banda Renaissance, Annie manteve a chama acesa até os últimos momentos, ao lado do mentor Michael Dunford. Mas, em 1977, foi lançado o seu primeiro LP solo com inéditas, titulado Annie In Wonderland, produzido pelo ex-marido Roy Wood. No ano seguinte, chegaria às lojas a obra-prima "Novella", com o grupo Renaissance. O hit de destaque era uma suíte de quase quinze minutos, a conhecida "The Sisters". E assim, a cada ano era um lançamento diferente.
Meados de 1985, foi a vez do segundo álbum solo. Annie estava se definindo para um grande e bem elaborado trabalho em sua carreira. Foi contratada a Orquestra Filarmônica de Londres para participar do seu álbum Still Life. É um trabalho artístico primoroso, porque ele contém somente peças de compositores clássicos, de Tchaikovsky a Brahms.
Em 1989, foi lançado um álbum mais diversificado, numa linha mais pop, titulado Annie Haslam, contendo maravilhosas canções em todas dez faixas. Ela começa fazer suas próprias letras e parcerias. Cria uma organização e começa a produzir discos pelo seu próprio selo White Dove Org, e lança os seus solos e outros relançamentos do Renaissance.

Outros projetos extras
Por causa da bela e comovente voz, Annie haslam sempre é convidada para participar de outros projetos musicais. Ao lado de grandes músicos do rock progressivo, como Steve Howe (do YES), dentre outros. Foi lançado o tardio DVD, contendo músicas de carreira solo e do Renaissance "Live Studio Concert" (2006). Lançou também em EP "Night And Day", com gravações antigas ao lado de Welsh na banda MAGENTA, incluindo a canção de Annie Haslam, musicada pela banda. Magenta é uma banda de rock progressivo, pouco desconhecida, formada em 2001 por Welsh e pelo ex-CYAN BAND, membro Rob Reed. Cyan é um grupo mais recente, formado em 1984, mas que teve influência dos GENESIS, YES, EURYTHMICS, do multiinstrumentista MIKE OLDFIELD dentre outros.
Os principais integrantes do MAGENTA, banda formada em 2001, são Christina Booth (vocais), Rob Reed (teclados), Chris Fry (guitarra elétrica), Martin Rosser (guitarra acústica), Dan Fry (baixos) e Allan Mason-Jones (bateria). É notável que Annie Haslam está sempre bem acompanhada por grandes músicos. O interessante é que, desde que ela fez parte do Renaissance, em 1972, nunca abandonou a banda. Em paralelo a sua carreira solo, o grupo tem lançado os inéditos, "Tuscany" (2002) e "Live in Tokyo" (2003), com a formação clássica. Inclusive, Annie tem sempre manifestado um saudoso retorno da banda Renaissance com os antigos colegas. Leia os principais tópicos no Boletim. Cf.tb. a história da primeira banda de Annie Haslam.

Jane Relf

Jane Relf foi a primeira vocalista da banda Renaissance, em 1969. Foi convidada pelo irmão Keith Relf para ser vocalista do grupo, lançando dois álbuns. No aniversário dos seus sessenta anos, foi feita uma homenagem, celebrando com uma série de novidades, dentre elas um CD duplo com todas suas interpretações durante a carreira. A primeira delas é o anúncio do lançamento oficial da coletânea Jane's Renaissance. Trata-se de um álbum duplo, com praticamente tudo que Jane gravou em sua carreira artística.
Nascida na Inglaterra, a 07 de março de 1947, Jane era irmã mais nova de Keith Relf (falecido em 1976). Desde a separação com a banda Illusion ela nunca parou de cantar, participou também em vários projetos dos colegas Jim McCarty e outros.

Lançamento Comemorativo
O álbum duplo inclui as músicas que ela cantou no Renaissance I (1969-1971), no Illusion, no Stairway (banda de new-age) formada por ela, Jim McCarty e Louis Cennamo na segunda metade dos anos 80, e ainda inclui três raros números solo da cantora, que têm seu lançamento oficial em CD (música que tinha sido lançadas antes, em vinil, em dois raros compactos no formato 45 rotações por minuto).
Estão lá as duas versões de Face of Yesterday (a do segundo álbum do Renaissance e a do primeiro álbum do Illusion), as duas versões de Island (a do primeiro álbum do Renaissance e a do compacto), belas canções como The Sea, Louis' Theme, Beautiful Country, Everywhere You Go, Man of Miracles, e raridades como Without a Song From You, Make Me Time Pass By e Please Be Home. Completa o CD um medley com trechos de outras músicas do Renaissance e do Illusion onde Jane faz vocais (mas não as canta por inteiras). Enfim, uma coleção como Jane nunca teve, e que deverá satisfazer por completo os milhares de fãs.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Vasa





Vasa (ou Wasa) foi um navio de guerra, construído para o Rei Gustavo Adolfo da Suécia de 1626 a 1628. O navio afundou e naufragou após velejar menos de uma milha náutica (cerca 1.8 km) em sua viagem inaugural, em 10 de agosto de 1628. O Vasa foi inicialmente esquecido após tentativas de recuperar seus preciosos canhões no século 17, sendo localizado novamente no final da década de 1950, na saída da baía de Estocolmo. O navio foi recuperado com o casco quase intacto em 24 de abril de 1961, sendo alojado em um museu temporário chamado Wasavarvet ( ou "O Estaleiro Wasa") até 1987, quando foi transferido para o Museu do Vasa em Estocolmo. O navio é uma das mais populares atrações turísticas da Suécia e, em 2007, atraiu mais de 25 milhões de visitantes.
Vasa foi construído com a parte superior muito pesada e com insuficiente lastro. Apesar da evidente falta de estabilidade no porto, foi autorizada a zarpar e naufragou poucos minutos depois, quando encontrou um vento mais forte do que a brisa predominante.
O impulso em fazê-lo navegar foi resultado de uma combinação de fatores. O rei Gustavo Adolfo, que estava no exterior na data da viagem inaugural, estava impaciente em que o Vasa se unisse à Frota do Báltico, na Guerra dos Trinta Anos. Ao mesmo tempo, os subordinados do rei não tiveram a coragem política de discutir os problemas estruturais do navio ou adiar a viagem inaugural. Um inquérito foi organizado para encontrar o responsável pelo desastre, mas ninguém foi condenado.
Durante o resgate de 1961, milhares de artefatos e os restos mortais de pelo menos 15 pessoas foram encontrados dentro e ao redor do casco do Vasa pelos arqueólogos marinhos. Entre os muitos itens encontrados estavam roupas, armas, canhões, ferramentas, moedas, talheres, comida, bebida e seis das dez velas. Os artefatos e o próprio navio têm provido um olhar sobre detalhes da guerra naval, técnicas de construção naval e da vida quotidiana, no início do século 17 na Suécia. Quando o Vasa foi construído destinava-se a mostrar a transformação da Suécia em uma grande potência e suas aspirações expansionistas e nenhuma despesa foi poupada na sua decoração e apetrechamento. Foi um dos maiores e mais fortemente armados navios de guerra do seu tempo, sendo decorado com centenas de esculturas, todas pintadas em cores vivas.



História



Durante o século 17, a Suécia passou de um pequeno e pobre reino periférico do norte da Europa a um dos principais atores da política continental e, entre 1611 e 1718, um dos mais poderosos estados do Mar Báltico. Esta posição de proeminência nos assuntos internacionais e aumento do orgulho militar, chamada stormaktstiden (que pode ser traduzido como a "idade de grandeza" ou a "período de grande potência"), foi possível graças a uma sucessão de monarcas capazes e da criação de um poderoso Estado centralizado com uma eficiente máquina militar. Historiadores suecos têm muitas vezes descrito isto como um dos exemplos mais extremos de como um país concentra quase todos os seus recursos disponíveis na máquina de guerra. O pequeno reino do norte transformou-se em um estado fiscal militar.

Um dos mais hábeis e militarmente mais bem sucedidos governantes sueco foi Gustavus Adolphus. Quando o Vasa foi construído, Gustavo era rei há mais de uma década. A Marinha sueca estava em más condições e a Suécia estava envolvida em uma guerra com a Polônia, além de ver com apreensão o desenvolvimento da Guerra dos Trinta Anos que ocorria no território da atual Alemanha. Esta guerra ocorria desda desde 1618 e, do ponto de vista protestante, não estava indo bem. Os planos do rei para a guerra e para garantir os interesses da Suécia necessitavam uma forte presença naval no Báltico.

A marinha sueca sofreu diversos reveses graves durante a década de 1620. Em 1625, uma esquadra cruzando ao largo da golfo de Riga, foi pega numa tempestade e 10 navios encalharam e foram perdidos. Na Batalha de Oliwa, em 1627, uma esquadra sueca foi envolvida e derrotada por uma força maior polonesa e dois grandes navios foram perdidos. Tigern ("O Tigre"), o navio almirante sueco, foi capturado, e o Solen( "O Sol") foi destruído por sua própria tripulação, quando foi abordado e quase capturado. Em 1628, mais três grandes navios foram perdidos em menos de um mês: o navio do almirante Klas Fleming Kristina naufragou numa tempestade no Golfo de Danzig, o Riksnyckeln ( "Chave do Reino") encalhou em Viksten, no sul do arquipélago de Estocolmo e, talvez o mais vexaminoso para a coroa sueca, o Vasa naufragou em sua viagem inaugural.
Gustavo Adolfo estava envolvido em guerras navais em várias frentes, isto agravou ainda mais as dificuldades da Marinha. Além do combate à marinha polonesa, os suecos eram ameaçados por forças católicas que haviam invadido a Jutlândia. Enquanto isso o rei sueco tinha pouca simpatia para com o rei dinamarquês, Cristiano IV, ( Dinamarca e Suécia eram inimigos ferozes há mais de um século). A Suécia temia a conquista de Copenhagen e Zelândia pelos católicos. Isto teria cedido às potências católicas o controle sobre passagens estratégicas entre o mar Báltico e o Mar do Norte, o que seria desastroso para o interesses suecos.

Até o início do século 17, marinha sueca era composta de pequenos navios de convés simples, com armamento leve; estes navios eram mais baratos que navios maiores e eram perfeitamente adaptados para escoltas e patrulhas. No entanto, uma frota de navios grandes era forma eficaz de impor autoridade sobre inimigos e aliados também. Para o ambicioso Gustavo Adolfo, uma marinha com um núcleo de navios poderoso, era uma chance que não podia ser desperdiçada. O Vasa foi o primeiro de uma série de cinco navios destinados a serem os mais pesados e mais esplêndidos de seu tempo. Os quatro outros navios, Äpplet, Kronan, Scepter e Göta Ark, foram bem sucedidos e formaram a espinha dorsal da marinha de guerra sueca até a década de 1660s. Destes o chamado regalskepp (normalmente traduzido como "navios real"), Vasa estava destinado a ser o maioral. O segundo dos grandes navios, Äpplet( "A Maçã", o termo sueco para globus cruciger), foi construído junto com o Vasa.



Construção



Logo antes da encomenda do 'Vasa', os trabalhos no estaleiro era liderados por Antonius Monier, junto com o holandês Henrik Hybertsson, contratado como engenheiro naval. Em 16 de janeiro de 1625, Henrik e seu irmão, Arendt Hybertsson de Groote, assumiu o estaleiro e logo assinou um contrato para construir quatro navios, dois maiores, com quilhas aproximadament 135 pés, e dois menores de 108 pés.
Após alguns anos, estaleiro passou a ter problemas financeiros, atrasando a construção dos navios contratados. Ao mesmo tempo, a marinha sueca perdeu 10 navios em uma única tempestade. O rei então enviou uma carta ao almirante Klas Fleming, pedindo-lhe para se certificar de que Henrik apressaria a construção dos dois navio menores. Junto com a carta, o rei mandou medidas do navio, que deveria ter uma quilha de 120 pés. Isto crious novos problemas para Henrik Hybertsson, porque as medidas ordenadas pelo rei caíam entre as dos navios pequenos e grandes , do contrato original, assim como a madeira dos navios já tinham sido cortada. Em uma nova carta, em 22 de fevereiro de 1626, o rei novamente exigiu que seus métodos de medição para o novo navio fossem seguidos. Hybertsson não testemunhou o Vasa ser terminado; ele adoeceu no fim de 1625, um ano depois de iniciada a construção, e morreu na primavera de 1627. A supervisão da construção naval foi dada ao seu ajudante, Henrik "Hein" Jacobsson, também um imigrante holandês.
O casco do Vasa estava suficientemente pronto para ser lançado em 1627, provavelmente durante a primavera. Depois disso, o trabalho começou no acabamento do piso superior, na popa castelo, na proa e no aparelhamento. Nesta altura, a Suécia ainda não tinha desenvolvido uma importante indústria de lona e as velas tiveram de ser encomendadas no exterior, algumas na França, mas também na Alemanha e nos Países Baixos. As velas foram feitas principalmente de cânhamo e em parte de linho. o cordoamento foi inteiramente feito de cânhamo importado da Letônia, por Riga. O Rei visitou o estaleiro em janeiro de 1628 e fez provavelmente sua única visita a bordo do navio.

No verão de 1628, o capitão que supervisionava a construção do navio, Söfring Hansson, marcou uma demonstração da estabilidade do navio com o vice-almirante responsável, Klas Fleming, recém chegado a Estocolmo, de volta da Prússia.
A demonstração consistia em 30 homens correrem juntos de um lado para outro do andar superior do navio, para balaçar o navio, entretanto o almirante parou o teste depois de apenas três corridas, temendo que o navio iria virar. Segundo o testemunho do comandante do navio, Göran Mattson, Fleming comentou que gostaria que o rei estivesse lá, o rei enviava um fluxo regular de cartas insistindo para lançar o que o navio ao mar o mais rapidamente possível.[9]
Persiste muita confusão sobre se o comprimento do Vasa foi aumentado durante a construção, ou se foi construído um convés adicional. Há poucas evidências que o Vasa tenha sido modificado substancialmente depois da quilha ser colocada. Outros navios contemporâneos ao Vasa, que foram alongados, foram cortadas no meio, acrescentou-se uma nova seção entre as seções existentes, tornando esta adição facilmente identificável, algo que não perceptível no Vasa. A adição de um segundo convés é mais difícil de refutar, mas existe evidências fortes contra isto. O rei encomendou setenta e dois canhões de 24 libras para o navio, em 5 de agosto de 1626, um número alto demais para caber em um único convés. Além disso a encomenda foi feita pelo rei menos de cinco meses depois de iniciada a construção, cedo suficiente para que o segundo convés fosse incluído no projeto. Além disso navio francês Galion du Guise, utilizado como um modelo para o Vasa, de acordo com Arendt Hybertsson, também tinha dois convés.



Armamentos



O Vasa foi construído em uma época de transição das táticas militares. De um tempo onde a principal maneira de lutar contra o navios inimigos era invadi-los, para uma época em que o foco era na vitória através de fogo superior. O Vasa possuía armas poderosas e uma popa elevada, que funcionaria como plataforma de disparo nas de ações de embarque dos 300 soldados que comportava. Ele não era o maior navio já construído, nem o que tinha o maior número de armas. Mas o que fez dele indiscutivelmente o mais poderoso navio de guerra da época era o peso combinado das munições que podia ser atirado de um lado do navio: 588 libras. Somente em 1630 foram construídos s navios capazes de atirar um peso. Esta enorme potência de fogo foi instalada num navio muito pequeno, relativamente ao armamento transportado.
A artilharia naval no século 17 estava ainda na sua infância, com armas muito caras e com uma vida útil muito mais longa do que qualquer navio de guerra. Utilizar a mesma arma por quase um século não era inédito, mas um naviode guerra era utilizado só por 15 a 20 anos. Na Suécia e em muitos países europeus, um navio não era dono de sua artilharia, mas suas armas eram definidas e embarcadas para cada missão. Os navios eram portante equipados com conjuntos de canhões de diversas idades e tamanhos. O que permitiu ao Vasa transportar tanto poder de fogo, não era apenas um elevado número de armas apinhado em um navio relativamente pequeno, mas o fato de quarenta e seis dos quarenta e oito canhões de 24 libras eram padronizadas e de um novo design, mais leve . (As duas peças restantes eram do mesmo calibre, mas de concepção mais antiga e mais pesadas). Os canhões do Vasa ainda eram feitos em moldes individuais, mas com tal precisão uniforme que suas principais dimensões variavam apenas alguns milímetros, enquanto o tubo tinha quase exatamente 146 mm. O restante do armamento do Vasa constava canhões de 3 libras, seis obuses de alto de calibre, para uso durante ações de embarque , e dois falconetes de 1 libra. Também estava a bordo 894 kg pólvora e vários projéteis de espingarda.



Ornamentação



O Vasa foi decorado com esculturas destinados a glorificar a autoridade, sabedoria e o orgulho marcial do rei, além de ridicularizar e amedrontar o inimigo. As esculturas formaram uma considerável parte do esforço e custo de construção do navio, aumentaram consideravelmente seu peso, o que dificultou sua manobrabilidade. O simbolismo usado na decoração era baseado principalmente na idealização da Antiguidade grega e romana conforme oRenascimento, que tinham sido importado da Itália através de artistas alemães e holandeses.
Imagens emprestadas de antiguidade do Mediterrâneo dominam os motivos, que incluem também figuras do Antigo Testamento e até mesmo um pequeno número do Egito antigo. Muitas das figuras estão num estilo grotesco holandês, com criaturas fantásticas assustadoras, incluindo sereias, selvagens, monstros do mar e tritões. A decoração interna do navio é muito mais escassa, confinada aos alojamentos dos oficiais e cabina do almirante, ambos na popa.
As esculturas são de carvalho, pinheiro ou tília, e muitas das grandes peças, como o enorme leão de 3 metros, é composta de várias peças esculpidas individualmente e unidas com parafusos. Cerca de 500 esculturas, foram encontrados no navio, a maioria concentrada no alto da popa, em suas galerias e sobre a proa. A figura de Hércules aparece como um par de pingentes, um jovem e um mais velho, em cada lado da parte inferior das galerias da popa; os pingentes retratam aspectos opostos do antigo herói, que foi extremamente popular durante a Antiguidade. Sobre o pranchão (a superfície plana na popa do navio) estão símbolos e imagens bíblicos e nacionalistas. Um otivo popular é o leão, que pode ser encontrado como mascarão, montado no interior das aberturas para os canhões, e mesmo pendurado no topo do leme. Cada lado da proa originalmente tinha 20 figuras (embora apenas 19 foram encontradas), representando os imperadores romanos de Tibério a Sétimo Severo. O único verdadeiro retrato do rei está no topo do pranchão, onde ele é retratado como um jovem rapaz com longos cabelos, prestes a ser coroado por dois grifos representando o pai do rei, Carlos IX.



Viagem e naufrágio


Em 10 de agosto de 1628, o capitão Söfring Hansson ordernou que o Vasa partisse até a estação naval de Älvsnabben. O dia era calmo, com uma pequena brisa. O navio foi rebocado ao longo do porto até seu lado sul, onde três velas foram abertas e o navio velejou para leste. Uma rajada canhão foi disparada para saudar a saída do navio de Estocolmo.
Depois do Vasa surgir no lado a jusante da cidade, uma rajada de vento encheu as velas dela e o navio tombou para esquerda, mas recuperou-se. Em breve outra rajada fez o navio inclinar para esquerda novamente, desta vez deixando entrar água pelas portas de arma inferiores, que estavam abertas. Este fluxo de água fez o navio se inclinar ainda mais e finalmente afundar numa profundidade de 32 metros, a 120 metros da costa. Os sobreviventes se agarraram aos escombros, vários barcos das proximidades ajudaram, mas, apesar desses esforços, entre 30 a 50 pessoas pereceram com o navio.



Investigação



O rei foi informado por carta do naufrágio do Vasa, em 27 de agosto, e logo ordenou uma profunda investigação e punição dos culpados. O capitão Söfring Hansson foi preso e nos interrogatórios jurou que os armamentos foram devidamente presos e que a tripulação estava sóbria. Uma comissão de investigação foi formada e todos os oficiais envolvidos e tripulantes foram interrogados e nenhuma evidência foi encontrada. O próximo foco foram os contrutores que responderam que haviam seguido ordens. No final ninguém foi considerado culpado. Gustavo Adolfo havia aprovado todas dimensões e armamentos.



Vasa reencontrado


As primeiras tentativas de recuperar o navio iniciaram três dias após o naufrágio, mas sem sucesso, já que a tecnologia existente na época era muito primitiva. Apesar disso o Vasa não desapareceu na obscuridade, continuou sendo mencionado em livros de história e história da marinha, porém sua exata localização foi esquecida.
No começo dos anos 1950, o arqueólogo amador Anders Franzén, começou a pensar sobre a possibilidade de resgatar os destroços do Vasa das águas frias e salobras do Mar Báltico, acreditando que o casco estaria livre da presença de Teredo navalis, uma espécie de verme que destrói a madeira submergida rapidamente, em climas mais quentes e água salgada.
Franzén já havia localizado outros naufrágios, como do Riksäpplet e Lybska Svan, e após anos procurando sem sucesso, em 1956, utilizando uma sonda caseira, localizou um grande objeto de madeira quase paralelo à entrada da doca de Beckholmen. A descoberta do navio recebeu grande atenção considerável, logo em seguida foi planejada a escavação do navio e criados planos para trazê-lo à terra, junto com a marinha e instituições do governo sueco.

A recuperação foi perigosa pois mergulhadores tinham que cavar por baixo do navio para poder erguê-lo. Em 1959 foi possível movê-lo de um profundidade de 32 para 16 metros, permitindo melhores condições de trabalho, perto de Kastellholmsviken, onde foi preparado para ser erguido por um ano e meio. Em 24 de abril de 1961 foi finalmente erguido e transferido para um museu temporário no Wasavarvet (O estaleiro Vasa). Em 1990 foi aberto um novo museu, o Museu do Vasa, mais amplo para onde foi transferido.

Objetos encontrados



O Vasa tinha quatro níveis preservados: o convés superior e o inferior das armas, o convés de carga e o convés térreo. O convés superior das armas estava bastante afetado, tanto com material colapsado do próprio navio, quanto com contaminação do terreno em volta. Apesar disso neste convés foram encontrados artigos interessantes como um chapéu, artigos de costura, um pente, dois pares de sapato, luvas, um caneca, moedas e outros artigos menores; um testemunho da vida simples do marinheiro do século 17. Os objetos foram catálogados e atualmente contém mais de 26 000 artefatos. Depois da retirada do navio do fundo do mar, o local foi revistado , buscando outros objetos, como as 700 esculturas encontradass que adornavam seu exterior. O último objeto trazido à tona foi um bote, que se acredita estivesse no convés ou sendo rebocado pelo Vasa quando afundou.


Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/Vasa_(navio)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Itabaiana


A estação de Itabaiana foi inaugurada em 5 de Janeiro de 1901. Este prédio da fotografia de 2005 é a estação operacional da CFN, atual concessionária da linha. A estação original ainda existe, transformada em sede da Serraria Nossa Senhora Aparecida. Trata-se de um ponto de importante entroncamento ferroviário, que liga a Paraíba de Pernambuco, da estação de Itabaiana seguia para a capital, Ceará e o Rio Grande do Norte.

Manitu




A estação de Manitu foi inaugurada em 19 de Outubro 1922 pela Great Western, como ponta de linha do ramal de Bananeiras. Fica na fronteira com o município de Borborema e trata-se de um povoado de Bananeiras. A palavra Manitu significa "Olho D'água" em Tupi. O início dos trabalhos de prolongamento até Bananeiras foram iniciados em Março de 1920, partindo de Borborema, em 1925 o ramal chegou até Bananeiras, e esta ficou sendo a estação terminal do ramal até sua desativação em 1967. A estação ainda está de pé em 2009, bastante degradada servindo de deposito, uma verdadeira falta de respeito com o patrimonio histórico tão importante quanto este.

Borborema



A estação de Camucá (antigo nome de Borborema) foi inaugurada em 24 de Novembro de 1913 pela Great Western, como ponta de linha do ramal. Em 1922 o ramal foi prolongado até Manitu. Em 1932, a estação e a cidade já se chamavam Borborema. Em 1966, o trem deixou de passar pela estação. Borborema destacou-se por muito tempo na produção de rapadura, existentes nos engenhos do município e em todo o Brejo Paraibano. A vinda dos trilhos em 1913 facilitou o maior escoamento deste e de outros produtos comuns na região. Na época da vinda dos trilhos até Borborema, ela era distrito de Bananeiras. A estação ferroviária de Borborema foi desativada em 1968 pela RFN, por ordem do Governo Federal. O prédio hoje serve como a sede da Secretaria de Educação do município de Borborema.

Alagoa Grande




A estação ferroviária de Alagoa Grande foi inaugurada em 1 de Julho de 1901, Conde D'Eu. Era a ponta de um ramal que ligava o então povoado de Camarazal (antiga Mulungu), pertencente na época ao município de Guarabira, a Alagoa Grande. Na verdade, o ramal deveria continuir até a cidade de Patos, no oeste paraibano, pontaa dos trilhos de um ramal da RVC, e aí formar-se-ia a E. F. Ceará-Paraíba. Em 1922, as obras já estavam adiantadas entre Alagoa Grande e Pocinhos; quem cuidava na época de boa parte das ferrovias do Nordeste, inclusive dali, era o IFOCS (Instituto Federal de Obras contra as Secas) e a ferrovia ali estava sendo contruída não somente como ligação dos dois Estados como também para facilitar a construção dos diversos açudes no Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte que também estavam sendo construídos na época. Com o abandono do projeto todo por Artur Bernardes, Presidente da República empossado em novembro de 1922, alegando falta de dinheiro, a ligação tamém parou, sendo retomada somente nos anos 1950, porém, não a partir de Alagoa Grande, como seria em 1922, mas sim a partir de Campina Grande, até Pocinhos, e dali a Patos, onde a ferrovia já estava desde os anos 1920. De qualquer forma, a chegada do trem Alagoa Grande foi significativa, fazendo com que a cidade e a região experimentasse ainda no primeiro decênio do século XX um rápido crescimento econômico. A estação proporcionou o escoamento do seu maior produto agrícola, o algodão, além de outras mercadorias muito abundantes na região do Brejo Paraibano, como a rapadura produzida por 26 engenhos existentes naquela época no município, fibras de sisal, esta entre os anos 1940 e 1960, e outras mercadorias. A estação também proporcionava a vinda de riquezas econômicas e sócio-culturais para o município, mas foi desativada em Novembro de 1967 pela RFN, por ordem de um decreto do Governo Federal. O prédio da estação ainda está de pé, em ruínas, e os trilhos do ramal foram retirados.

Juazeirinho


A estação de Juazeirinho foi inaugurada em 16 de Janeiro de 1957, o Presidente Juscelino Kubitscheck inaugurou oficialmente a Estação de Juazeirinho, quando foi aberta também o trecho Campina Grande-Juazeirinho. No ano seguinte foi inaugurado o resto do trecho Campina Grande-Patos. (Síntese histórica de Campina Grande, 1697-1964, 2005). Os trens passaram a circular de Campina Grande até Juazeirinho, às segundas e sextas-feiras (jornal Diário da Borborema, 1957). Hoje é uma das estações operacionais da CFN.

Soledade


A estação de Soledade foi inaugurada em 1956 quando o primeiro trem de cargas chegou na estação; no ano seguinte (1957) chegava o primeiro trem com passageiros vindo de Campina Grande. A estrada de ferro exerceu importante papel para o desenvolvimento da cidade de Soledade, mas após o asfaltamento da BR-230 no final dos anos 60 a atividade ferroviária entrou em declínio. A estação ocupa espaço restrito, obedecendo a um estilo simples, sem qualquer sofisticação, fruto, talvez, da rapidez exigida para a conclusão das obras, tendo em vista à extrema necessidade do serviço em terminar o trecho que ligaria o Ceará ao nordeste ocidental. O prédio caracteriza-se principalmente pela simplicidade de sua volumetria. Como o seu objetivo básico era abrigar passageiros para embarque e desembarque, a arquitetura não teve maiores ambições plásticas, sendo ela construída em art decô, contemplando apenas os espaços imprescindíveis para atender adequadamente aos passageiros. A estação encontra-se hoje desativada (desde 1997) e o prédio está em ruínas, bem como o seu armazém, ambos tomados pelo mais completo abandono. Junto à estação existe uma ponte sobre o riacho do Padre, e em frente ao pátio, uma fábrica de caulim.

Mogeiro


A estação de Mogeiro foi inaugurada oficialmente em 2 de Outubro 1907 pela Great Western, no trecho Itabaiana-Campina Grande. No entanto o prédio da estação foi construída antes (1905/06). A estação e seu armazém foram demolidos completamente há mais de 10 anos atrás. Praticamente nada do prédio restou, apenas na sua frente uma caixa d'água que abastecia as antigas locomotivas, construída muitos anos depois da estação com um depósito subterrâneo de água.

Pocinhos


Construção da linha em 1922 desativada em seguida


Por muitos anos, desde os anos 1920, a cidade de Pocinhos esteve destinada a ser passagem da linha que ligaria a Paraíba ao Ceará (E. F. Ceará-Paraíba). Em 1922, havia intensas obras da ferrovia na região, abandonadas logo em seguida. Quem cuidava na época de boa parte das ferrovias do Nordeste, inclusive dali, era o IFOCS (Instituto Federal de Obras contra as Secas) e a ferrovia ali estava sendo contruída não somente como ligação dos dois Estados como também para facilitar a construção dos diversos açudes no Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte que também estavam sendo construídos na época. Com o abandono do projeto todo por Artur Bernardes, Presidente da República empossado em novembro de 1922, alegando falta de dinheiro, a ligação tamém parou, sendo retomada somente nos anos 1950, porém, não a ligando Alagoa Grande a Pocinhos, como seria em 1922, mas sim Campina Grande a Pocinhos, e dali a Patos, onde a ferrovia já estava desde os anos 1920. A estação de Pocinhos foi inaugurada em 1954 pela RFN, na ligação ferroviária Patos-Campina Grande. Por muito tempo a estação serviu de parada para passageiros no ramal de Campina Grande. Também era por ela que se exportava o maior produto da região, o sisal, para o porto de Cabedelo, proporcionando inúmeros benefícios para a cidade de Pocinhos. Infelizmente depois da privatização da RFFSA em 1997, o produto não pôde ser mais exportado através da estação. A estação é semelhante estruturalmente com as estações de Puxinanã, Soledade e Juazeirinho. A estação de Pocinhos foi desativada na década de 1990, pela RFFSA. O prédio hoje serve como moradia. A vila ferroviária também está de pé. Já o armazém está em ruínas, sem o teto (2006). A estação serviu de cenário no final do filme "Cinema, Aspirinas e Urubus", de 2005, ambientado, entre outros locais, em Pocinhos. Com três erros históricos graves: em 1942, nem a estação existia, nem havia linha ali, nem o trem poderia ir dali a Fortaleza (como aparecia no filme), nem a Great Western tonha locomotivas diesel (nessa época de 1942, apenas a VFFLB, na Bahia, as possuía no Brasil). Além do mais, a pintura não condiz com nenhuma pintura da GWBR, sendo esta uma pintura moderna.

Puxinanã



A estação de Puxinanã foi inaugurada oficialmente em 4 de Abril de 1951 pela RFN, na ligação ferroviária Patos-Campina Grande. A estação de Puxinanã se chamava Floripes Coutinho, em homenagem ao importante chefe político da região de Pocinhos e Puxinanã falecido na década de trinta. De acordo com a matéria da revista Manaíra, de Campina Grande, de junho de 1951, “dezenas de automóveis não conduziriam no dia 4 de Abril do corrente ano a quantidade de homens e mulheres que três lastros trouxeram à Puxinanã nesse dia para assistirem a inauguração do trecho da Rêde Ferroviária do Nordeste. A festividade foi imponente dentro daquele ambiente de alegria e simplicidade em que os Drs. Pedro e Camilo Collier se apresentavam risonhos e cheios de satisfação pela conquista de mais um povoado ligado à rainha da Borborema através do prolongamento da estrada de ferro Campina Grande-Patos. Ali muitas famílias poderão construir as suas casas residenciais e terem tranzações diárias com Campina Grande tamanha a facilidade de transporte adquirida com a realização excepicional da Empreza Construtora Camilo Collier Ltda. A inauguração, naquele dia, na área jurídica de Puxinanã, do trecho da estrada de ferro que liga Campina Grande ao Estado do Ceará foi presenciada por autoridades federais e estaduais. Destacamos entre as pessoas presentes o sociólogo Lopes de Andrade representante do Exmo. Sr.. Governador José Américo de Almeida, prefeito Elpídio de Almeida, major Antonio Rodembusch vice-prefeito de Campina Grande, major Brigadeiro Alvaro Recker, Cel. Braulio Domingos, Cte. Militar da Rede 7ª, Cap. R. H.. Dobson, representante do Cte. Da 7ª Região Militar, Eng. Vicente de Brito Pereira, diretor do DNEF, Eng. Cornélio Júnior, chefe do D. Fiscal, Eng. Lauriston Pessoa Monteiro, chefe da DC-3, Eng. Gercino Pontes, diretor da RFN, Sr. João Justino Leite, Inspetor de Tráfego de RFN, srs. Aquilino Porto e Caminha França respectivamente, chefes de Tráfego e Linhas, drs. Cláudio Albuquerque do DNEF, Hortencio Ribeiro e outras pessoas de destaque”. É interessante notar que, apesar da festa de 1951, somente em 1958 a linha até Patos foi aberta com um trem regular: basta se verificar os guias ferroviários entre 1951 e 1958. Existiriam trens esporádicos para servir as cidades por onde a linha já estava operante? Não consegui esta resposta. Por muito tempo a estação serviu de parada para passageiros no ramal de Campina Grande. Também servia de transporte para mercadorias provenientes da região. O prédio apresentava uma volumetria retangular com platibandas, a plataforma de embarque e desembarque era de concreto armado, possibilitando a total desobstrução do espaço destinado aos passageiros, o imóvel apresentava traços que lembravam o Art D'ecó; o armazém e as duas casas da velha estação seguiam o mesmo estilo arquitetônico da estação. A estação era semelhante estruturalmente com as estações de Pocinhos, Soledade e Juazeirinho. A estação de Puxinanã foi desativada na década de 1980 pela RFFSA. Infelizmente o prédio foi demolido alguns anos atrás restando apenas a plataforma de embarque no local. "A estação se chamava Floripes Coutinho (só a estação, pois a cidade se chama Puxinanã mesmo), nome de um importante político da região de Pocinhos e Puxinanã, falecido na décade de 1930. Na época do prolongamento da linha de Campina Grande na região (1948/49), mais de 2.000 tiros de dinamite foram dados para abrir passagem, isso por causa do terreno pedregoso e elevado do município de Puxinanã: diversos cortes em rochas foram feitos. Desta forma hoje Puxinanã é conhecido como a "A cidade dos lagedos", devido à grande quantidade de grandes rochas na região que se estende até Pocinhos. O município de Puxinanã foi emancipado em 1961". Apesar da afirmação de Rodrigues que o nome da estação era diferente do da cidade, em nenhum guia ferroviário da época este nome aparecia: era Puxinanã mesmo. Desta forma o município é conhecido como “A cidade dos lajedos”. Em 1958 a RFN terminou e entregou a ligação ferroviária entre Patos e Campina Grande. Esta linha possibilitou a ligação entre as principais capitais nordestinas, e conseqüentemente, a ligação entre o Nordeste com o Sudeste e Sul do Brasil. A estação foi desativada nos anos oitenta depois da desativação do tráfego de passageiros. Tempos depois todo o complexo ferroviário foi demolido como, estação, armazém e vila. Infelizmente não houve a preocupação de preservação de um marco tão importante para a cidade de Puxinanã.

Ingá


A estação de Ingá foi inaugurada em 2 de Outubro de 1907 pela Great Western, no trecho Itabaiana-Campina Grande. Na estação de Ingá foram encontrados um relógio antigo do início do século XX, e uma balança de pesar algodão também do início do século XX. A estação foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artistico do Estado da Paraíba (IPHAEP), em 2001. Possui volumetria singela arrematada por coberta aparente em telha cerâmica canal em duas águas, com cumeeira central disposta no sentido longitudinal do edifício. A construção compreende 91 m² de área coberta abrigando bilheteria, residência do agente e um depósito, além de uma “casinha” – banheiro separado com 2.3 m². O comprimento total da plataforma é de 15 metros. A estação fica localizada a 2 Km do centro da cidade de Ingá e a 7 Km da parada das Itacoatiaras de Ingá – sítio arqueológico. O prédio está abandonado.

Ingá



A estação de Ingá foi inaugurada em 2 de Outubro de 1907 pela Great Western, no trecho Itabaiana-Campina Grande. Na estação de Ingá foram encontrados um relógio antigo do início do século XX, e uma balança de pesar algodão também do início do século XX. A estação foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artistico do Estado da Paraíba (IPHAEP), em 2001. Possui volumetria singela arrematada por coberta aparente em telha cerâmica canal em duas águas, com cumeeira central disposta no sentido longitudinal do edifício. A construção compreende 91 m² de área coberta abrigando bilheteria, residência do agente e um depósito, além de uma “casinha” – banheiro separado com 2.3 m². O comprimento total da plataforma é de 15 metros. A estação fica localizada a 2 Km do centro da cidade de Ingá e a 7 Km da parada das Itacoatiaras de Ingá – sítio arqueológico. O prédio está abandonado.

Galante




A estação de Galante foi inaugurada em 2 de Outubro de 1907 pela Great Western, no trecho Itabaiana-Campina Grande. O trecho da linha saía de Itabaiana para Campina Grande, e o distrito de Galante foi contemplado com este benefício. Desta estação partiu a locomotiva nº 3, que inaugurou no mesmo dia da de Galante a estação ferroviária de Campina Grande. Este ramal ligando a cidade de Itabaiana até Campina Grande possibilitou a ligação desta estação até a capital do estado, facilitando o escoamento de seu principal produto, o algodão. A estação de Galante, que se chamou Álvaro Machado durante algum tempo, por volta de 1960 e depois retomou seu nome; está desativada desde 1997, pela RFFSA. Durante o mês de junho, ocorre o famoso passeio junino "trem do forró". Esta atração consiste em trens de passageiros sair da velha estação de Campina Grande até a estação de Galante, que fica no distrito do mesmo nome, viagem esta animada por "forrozeiros", atraindo um grande número de turistas para este passeio ferroviário. O prédio da estação está hoje descaracterizado, tendo recebido um "puxadinho" na parte oposta à plataforma, claramente identificado no desenho e na foto de 2007, abaixo. O conjunto compreende aproximadamente 440 m² de área coberta abriga ndo bilheteria, residência do agente, caixa d’água e galpão para abrigar equipamentos e operários da CFN responsável pela manutenção da linha, cozinha e banheiros/vestiários. No centro da cidade de Galante, a estação esta localizada num platô que permite visualizar o vale e ao fundo a Pedra de Santo Antônio, no município vizinho de Fagundes.

A história da estação ferroviária de Campina Grande



A estação original de Campina Grande foi inaugurada em 2 de Outubro de 1907 pela Great Western, como ponta de linha do ramal de Campina Grande. "O ano era 1907. Um sentimento de euforia e surpresa tomava conta dos moradores de Campina Grande com a notícia de que chegaria à Estação Ferroviária Great Western - hoje conhecida popularmente como Estação Velha - do primeiro trem que atenderia à população da Rainha da Borborema. O trecho da linha saía de Itabaiana com destino a Campina Grande, passando pelo distrito de Galante. A chegada oficial do trem na Estação de Campina Grande é datada de 2 de outubro de 1907, mas estudiosos como Epaminondas Câmara - autor do livro Datas Campinenses - registrou que em 7 de setembro daquele ano a máquina começou a trafegar, ou seja, há 99 anos. Em quase um século de história, especialistas confirmam a importância deste segmento para o desenvolvimento urbano e econômico campinense e criticam a falta de conservação em alguns trechos do Sertão paraibano, por onde a linha férrea passava, que hoje estão jogados ao descaso. O meio de transporte hoje é utilizado apenas para carregamento de mercadorias. "Onde o trem chegava havia uma movimentação econômica muito grande sem contar nas mudanças comportamentais e culturais que a chegada da novidade promovia no cotidiano da população ", explica o professor Gervácio Batista Aranha, do departamento de História da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). O professor estuda o fenômeno do sistema ferroviário no Nordeste; inclusive a tese de que defendeu no doutorado pela Universidade de Campinas (Unicamp) teve como tema "Trem, Modernidade e Imaginação na Paraíba e Região". Até a década de 40, a estação foi ponto de destaque no desenvolvimento econômico e cultural campinense. O transporte de produtos - como o algodão - para outros portos do Brasil e Europa levava e trazia novidades e riquezas, influenciando na vida das pessoas. Como todo importante ato histórico, a chegada do primeiro trem à estação de Campina Grande foi marcada por uma grande presença popular com a participação de autoridades que estruturavam o cenário político da época. Documentos da época mostram que uma banda de música animava o momento e fogos de artifícios convidavam a população local a participar da festa. Uma comitiva da empresa Great Western chegou por volta do meio-dia da quarta-feira, dia 2 de outubro de 1907. Na recepção o prefeito Cristiano Lauritzen acompanhado do major Lino Gomes, major Juvino do Ó, Alferes Manuel Paulino de Morais, professor Clementino Procópio, monsenhor Sales, Tito Sodré, Benedito Rodrigues, dr. Afonso Campos, dr. José Pinto, Manuel Lins de Albuquerque e os irmãos Cazuza, Miguel e Francisco Barreto engrossavam a lista de personalidades presentes ao momento histórico. O orador da solenidade era o médico e empresário Assis Chateaubriand Bandeira de Melo. Às seis horas da tarde - depois de um atraso de quatro horas - os presentes no local avistaram de longe a máquina - enfeitada com folhas de palmeiras e duas bandeiras do Brasil - e o apito anunciava a tão esperada chegada do trem à Rainha da Borborema. O professor Gervácio Batista Aranha explica que na época da inauguração, Campina Grande possuía apenas cerca de seis mil habitantes, sendo que quase quatro mil pessoas compareceram ao evento. "Era a realização de um sonho alimentado por mais de duas décadas pela população e autoridades locais", frisa. Mas foi necessário um pouco de pressão política para que o sonho se tornasse realidade. Documentos que tratam do assunto mostram que o prefeito da cidade na época, Cristiano Lauritzen, foi duas vezes ao Rio de Janeiro para conseguir recursos e apoio federal para construção de uma linha férrea para Campina Grande. "Havia muito jogo político nesse sistema, o que deixou muitas cidades prejudicadas", destaca o professor. O funcionamento do sistema ferroviário no Brasil está ligado diretamente às mudanças de costumes e comportamentos na vida da população campinense, assim como aconteceu com as demais cidades do País que eram atendidas pelo sistema de ferrovias. A conexão com outros pólos econômicos e sociais possibilitou aos campinenses o contato com culturas de outras partes do País, influenciando no modo de viver da sociedade. No transporte de passageiros, o trem mais famoso na cidade foi o Asa Branca que fazia a linha entre Recife (PE) e Fortaleza (CE), passando por João Pessoa e Campina Grande Era sagrado. Todos os dias havia um trem saindo de Pernambuco e outro do Ceará. O som do trem servia de base de horário para muitas pessoas. "Muitas famílias modelavam seu dia a partir do horário de chegada do trem. Se o trem chegava na estação às 9 horas, as tarefas eram divididas em depois e antes da chegada do trem, explica Gervácio. Sob a alegação de inviabilidades econômicas o governo federal começou a desativar diversos trechos pelo País. Hoje, a imagem mais presente no cotidiano dos campinenses sobre o sistema ferroviário é o funcionamento do trem do forró, durante os festejos do Maior São João do Mundo. O passeio sai da Estação Velha com destino ao distrito de Galante. Na estação também funciona o Museu do Algodão" (Jornal da Paraíba, 03/09/2006). Somente em 1958, a já Rede Ferroviária do Nordeste terminou e entregou a ligação ferroviária entre esta estação e a de Patos, no ramal da Paraíba da RVC, e a RFFSA, já controlando as duas linhas, incorporou não só o trecho Patos-Campina Grande como também o trecho Souza-Patos à rede da RFN. "A estação nova de Campina Grande foi inaugurada no dia 14 de Fevereiro de 1961 pela RFN, em um lugar mais amplo para as máquinas poderem fazer suas manobras, no intuito de expandir os serviços ferroviários em Campina Grande. Sua construção remonta ao ano de 1957, quatro anos antes, em virtude da comemoração do cinqüentenário de chegada do trem a Campina Grande. Ela passou recentemente por uma reforma, a cargo da atual concessionária, a CFN. A edificação apresenta característica do estilo Modernista, e suas linhas arquitetônicas lembram o Lyceu Paraibano, da Capital do Estado. Sua fachada é ornamentada por um painel decorativo, da autoria de Paulo Neves do ano de 1960. O nº do seu patrimônio inscrito na antiga RFFSA é 1240148. A estação foi tombada pelo IPHAEP em 2001. Possivelmente, o imóvel abrigará no futuro o Museu da CFN. Encontra-se em frente à sua plataforma uma placa alusiva ao Cinqüentenário da chegada do 1º Trem de Ferro a Campina Grande como 'marco da valorização econômica do interior Paraibano" (Jônatas Rodrigues, 02/2009).