quarta-feira, 26 de maio de 2010

Serra do Pico - Taperoá (O segundo ponto mais alto da Paraíba)

Casa grande que abrigou Antonio Silvino em 1912.

Os mapas geográficos do Estado indicam uma altura de 924 metros para este acidente geográfico de singular beleza, que pertence ao complexo de montanhas da Cordilheira da Borborema. Trata-se do segundo ponto mais alto do Estado da Paraíba. A importância histórica do setor é estratégica. Por aqui, passaram as primeiras expedições de bandeirantes da Casa dos Garcia D`Ávilla, na Bahia, com o objetivo de colonizar as sesmarias concedidas aos pioneiros portugueses que povoaram a região, dando origem às prósperas cidades e fazendas de criação de gado do Cariri.
Este paraíso ecológico – a Serra do Pico -, situa-se a Noroeste do centro de Taperoá, a uma distância de 18 Km da área urbana. É uma nesga de terra espremida entre o Sítio Olho d` água e a Serra das Almas, onde a ocorrência de ipês amarelos e variadas plantas xeroftas, emprestam um colorido especial à paisagem, principalmente nos dias de sol.
Encravado numa região de transição climática entre o Cariri e o Sertão, o sopé da Serra do Pico é um verdadeiro oásis, em pleno semi-árido. O setor se mantém verde em todas as épocas do ano. É beneficiado pela superficialidade do lençol freático, que libera água de excelente qualidade para irrigar as fruteiras. A explicação para a existência deste cinturão verde ao pé da montanha é simples: as camadas de rochas cristalinas impedem a absorção total da água e o excesso é lançado no ar, em forma de finíssima chuva, pela transpiração das jaqueiras, mangueiras e cajueiros, que existem lá há mais de 100 anos.
Você já viu jaca-manteiga no Cariri? Pois, esta daí é jaca-manteiga”, explica Deoclécio Moura, Procurador do Governo do Estado da Paraíba. Recentemente, ele organizou uma expedição com amigos e escalou o o Pico, para conhecer de perto as curiosidades do lugar. Um tipo de orquídea popularmente conhecida por “mão de onça”, causou boa impressão. “Quando ela se desmancha , deixa uma maciez de talco na ponta dos dedos”, admira-se um dos exploradores.
As fruteiras da Serra do Pico são um dos poucos vestígios que marcam a intromissão humana no local. O ermo que se avista nas redondezas comprova que até os rijos bandeirantes que acompanharam Pascácio de Oliveira Ledo, no desbravamento do Cariri, enfrentaram muitos obstáculos maturais, para atingir seus objetivos. “Vamos trabalhar para mantermos a Pedra do Pico tão intocávell quanto nos tempos da colonização”, sugere Deoclécio, que recentemente elegeu-se prefeito de Taperoá. A principal intenção é evitar que ali se instale um turismo predatório, para não comprometer os recursos naturais do segundo maior ponto culminante da Paraíba.

Um atraente sacovão de Serra
Quem chega ao pé da Serra do Pico, admira-se com as curiosidades oferecidas aos visitantes. No outro lado da montanha, existe a casa de pedra. Foi construída pelo eremita conhecido por Joãozinho das Almas. Em cima de uma laje de granito, ele fez a casa de tijolos, com sótão e janelas, onde, em 1912 escondeu-se o cangaceiro Antonio Silvino e seu bando, tenazmente perseguidos pela polícia.
O zootecnista José Dinaldo Villar, diretor da ANDE – Associação Nordestina para a Defesa dos Ecossistemas -, uma ONG de destacada atuação na Paraíba, garante que 90% da área ainda não sofreu devastação causada pelo homem. “Temos 200 hectares de uma mata primária que comprovam isto”, afirma. “A mata está aí desde os tempos de Cristo”.
Na área da Serra do Pico a caça é proibida. A ANDE já libertou nas redondezas mais de 10 mil aves, cujas espécies estão ameaçadas de extinção. Uma das raridades da fauna local é o xexéu e o gavião turona, a águia nordestina. As onças jaguatiricas e os gatos selvagens vermelhos e azuis já são vistos caçando as rolinhas que voam aos bandos.

Um comentário:

  1. Pela foto que vi na foto, a casa do Eremita Joãozinho das Almas é muito interessante, mas não é de pedra. é bom corrigir isso.

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